Líderes suspeitos de ordenar ataques em SP são transferidos

Três líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), suspeitos de terem ordenado os ataques contra ônibus e policiais ocorridos na noite de terça-feira em São Paulo, foram transferidos nesta quarta, 7, para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) de Presidente Bernardes, o mais rigoroso do sistema prisional paulista. Os líderes Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, Fabiano Alves de Souza, o Paca ou Biano, e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loca, deram a ordem por celular, assim que a tropa de choque da Polícia Militar se posicionou para entrar na Penitenciária II, de Presidente Venceslau, onde cumpriam pena. Na mesma noite, vários ônibus e uma patrulha da Polícia Militar foram atacados em São Paulo. Os guardas da muralha da PII ouviram os presos passando ordens por telefone e avisaram a direção do presídio. Rapidamente, toda a estrutura policial do Estado foi colocada de sobreaviso. A tropa ocupou o presídio depois que um grupo de presos, revoltado com um remanejamento iniciado pelos agentes penitenciários, se amotinou e tentou render os agentes. Integrantes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) entraram em choque com os amotinados, disparando balas de borracha. Os detentos que estavam fora das celas foram dominados. Em seguida, os presos começaram a destruir os vidros e a gritar que haveria retaliação. O pelotão de choque usou bombas de efeito moral para conter o motim. Os presos foram dominados e, na revista, foram apreendidos 4 celulares, 12 chips, 13 porções de maconha e 2 tubos de massa epóxi. Advogados de presos disseram que os detentos que estavam no castigo foram sido agredidos. A SAP negou as agressões. Às 7 horas desta quarta, o pelotão de choque da PM, com apoio do canil, voltou a ocupar a unidade. Os presos foram levados para o pátio, apenas de cuecas, para a revista. Foram apreendidos mais 10 telefones celulares, além de baterias e conectores. Clima tenso O clima voltou a ficar tenso quando a PM usou bombas de efeito moral para obrigar os detentos a desocuparem as celas para a limpeza. Quando os três líderes foram separados para a transferência houve nova ameaça de tumulto. No RDD, onde estão os principais cabeças do PCC, entre eles o líder máximo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, eles devem permanecer pelo menos 30 dias. O prazo pode ser prorrogado a critério da Justiça. O remanejamento na PII foi completado sob protestos. Segundo a SAP, a medida é necessária para evitar a formação de grupos com influência sobre os outros presos. "Ninguém gosta de ir para o raio 1, onde o preso fica isolado", disse um funcionário. O advogado Jerônimo Ruiz Andrade Amaral, que defende vários presos, disse que o regime utilizado na P II não está previsto na Lei de Execuções Penais. "Fiz denúncia à Corregedoria do Ministério Público, que já notificou o secretário (Ronaldo Marzagão) para prestar esclarecimentos." Segundo a SAP, os presos são tratados de acordo com a lei. Familiares de presos postaram-se no portão em busca de informações. A dona de casa Valquíria Alves Barbosa viajou de Presidente Epitácio para ter notícias do filho Milton, condenado a 16 anos. "Ninguém diz se ele ainda está aí ou foi transferido." Ela temia que o filho fosse ferido na ação policial. O comandante regional da PM, coronel Homero de Almeida Sobrinho, que acompanhou a operação, disse que ninguém ficou ferido. Ele não quis comentar os ataques, alegando que apenas a SAP se manifestaria, mas confirmou que as forças policiais continuarão em alerta máximo. Nos outros 34 presídios da região, o clima ficou muito tenso o dia todo. Na maioria, os presos não foram tirados das celas para o banho de sol, pois havia risco de rebelião ou de retaliação contra os agentes. Em algumas unidades houve revistas de rotina. Até a tarde desta quarta, as visitas do fim de semana estavam mantidas.

Agencia Estado,

07 Fevereiro 2007 | 18h15

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