Ligação de goleiro fez ex-jogador matar a mulher

Evangelista ouviu a ex falar ao celular e ficou com ciúme; Fábio Costa, do Santos, diz que só cedeu ingressos

Sanches Filho, Alex Sabino e Bárbara Souza, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Um telefonema de um jogador de futebol teria sido o estopim para a discussão que resultou na morte da recepcionista Ana Cláudia Melo e Silva, de 18 anos, no domingo. O ex-marido dela, Janken Ferraz Evangelista, de 29 anos, confessou o assassinato ao ser preso numa estrada que liga Nanuque, em Minas, a Nova Viçosa, na Bahia. Levado a Salvador para prestar depoimento, ele deveria chegar ontem à noite a São Paulo.No depoimento prestado à polícia baiana, Evangelista, que também foi jogador de futebol, afirmou que ouviu a ex-mulher falar ao celular com um atleta. Ficou enciumado e começaram a discutir. Na tarde de ontem, o goleiro Fábio Costa, do Santos, foi apontado como o homem com quem Ana Cláudia falava. Em entrevista na Bahia, Evangelista disse que o jogador saberia o motivo do crime.A repercussão levou o jogador a convocar a imprensa para dar explicações, ao lado da mulher, Mônica, logo após o treino do Santos ontem. Fábio Costa disse que conheceu Ana Cláudia em 2005, quando jogava no Corinthians, e disse que deu ingressos a ela para o clássico no Pacaembu, mas negou ter qualquer ligação com a vítima. "Ela me ligou na semana passada e pediu ingressos", disse o jogador. Ele disse que avisou à jovem que pegasse as entradas com um segurança no portão do estádio. E não teve mais contato com ela.Fábio Costa afirmou que não tinha contato com Ana havia um mês - até o pedido de ingressos. E afirmou que o contato era normal, como jogadores têm com torcedores. "A minha responsabilidade vai até o pedido de ingressos. Cedi. O que aconteceu depois não pode me ser atribuído", disse.Pessoas ligadas ao Santos dizem que Evangelista esteve muito perto de ser contratado pelo time quando ainda jogava no São Paulo, mas isso não ocorreu porque havia problemas com a documentação - para jogar, ele usava a identidade de um irmão mais moço, José Roberto.LEGÍTIMA DEFESAA defesa de Evangelista vai investir na tese de legítima defesa. Os advogados pretendem mostrar documentos que comprovem que Ana era "desequilibrada" e que, por isso, iniciou a agressão contra o ex.

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