Ligação de Marta com suspeito vira munição contra candidatura

Senadora enfrenta resistências dentro do PT para disputar pela 4ª vez consecutiva a Prefeitura de São Paulo em 2012

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

A Operação Voucher foi alvo de críticas dos petistas no Congresso, mas despertou internamente no PT uma torcida, ainda que discreta, para que a crise no Ministério do Turismo respingasse na senadora Marta Suplicy (SP).

Líderes petistas ouvidos pelo Estado lembravam que Mario Moysés, ex-presidente da Embratur e ex-secretário executivo da pasta quando Marta fora ministra (2007-2008), era ligado à senadora. Trabalhara no gabinete dela na Prefeitura e fora seu coordenador de imprensa na campanha municipal de 2008. Ontem, no Senado, Marta chegou a se refugiar no banheiro para não falar sobre o caso.

A torcida adversária de Marta dentro do PT foca a disputa pela Prefeitura em 2012. Nas últimas semanas, a ex-prefeita começou a articular sua pré-campanha movimentando-se por um terreno fragmentado, que conta com outros quatro pré-candidatos.

Apesar da alta rejeição, a articulação da prefeita mexe com o mercado eleitoral do PT. Pesquisas apontam sua liderança na corrida municipal, o que dificulta a tese dos que defendem o lançamento de um nome novo, como o do ministro Fernando Haddad (Educação), apoiado pelo ex-presidente Lula.

Marta também tem boa inserção na base do PT. Uma liderança do partido observou que, nas reuniões para discutir a eleição feitas no fim de semana passado, a militância ficava até o final só para ouvi-la. Quando o pré-candidato que falava por último era outro, a sala se esvaziava.

Mas Marta perdeu grande parte da sua influência no partido. Os desgastes da campanha de 2010 contribuíram para reduzir o apoio interno que construíra, principalmente durante a formação da sua equipe na Prefeitura (2001-2004), quando contemplou diferentes alas do partido.

Em 2010, uma conversa áspera com o então senador Aloizio Mercadante sobre a divisão das candidaturas praticamente levou ao rompimento com o grupo ligado a ele. Hoje, parte do apoio que detinha não vê com simpatia sua candidatura e migrou para Haddad, Mercadante e outros.

Apesar da torcida dos rivais, a crise no Turismo não chega a Marta, avaliam os líderes do PT, que veem exagero na operação. "Não tem cabimento a prisão de pessoas como Mário Moysés", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT).

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