Limpeza é bem vista, mas queixas aumentam

Pesquisa InformEstado coloca a área em 1.º lugar na gestão Kassab

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

As cinco empresas que fazem a varrição das ruas de São Paulo - Construfert, Paulitec, Qualix, Unileste e Delta - recolhem e transportam mensalmente 11.790 toneladas de lixo sólido de varrição das ruas, de acordo com as novas planilhas de controle do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), da Prefeitura. Diariamente, os cerca de 8 mil garis percorrem 6.939,8 quilômetros de vias que devem ser limpas, mas parte desses trechos deve ser varrida até três vezes por dia, segundo o contrato em vigência. É praticamente metade da malha viária paulistana, que soma mais de 14 mil quilômetros de vias, equivalentes a três vezes e meio o percurso entre Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e Natal, capital do Rio Grande do Norte.São números gigantes para uma metrópole como São Paulo. E insuficientes para manter a cidade limpa. A metodologia e o cronograma de limpeza utilizados são praticamente os mesmos há cinco anos, enquanto a população passou de 10.710.997 para 11.091.440 habitantes. Para fiscalizar tudo isso, a Secretaria da Coordenação das Subprefeituras tem somente 82 fiscais nas 31 subprefeituras. Na pesquisa InformEstado/Instituto GPP, o paulistano demonstra sua insatisfação com o serviço. Nos últimos três levantamentos, o número de pessoas que cita a limpeza urbana como área de pior desempenho de Kassab só cresce. Em junho de 2006, eram 3%. Seis meses depois, subiu para 5%, e agora são 5,2%. Mas, quando a pesquisa pergunta qual a área de melhor desempenho, a limpeza urbana está no topo de lista, com 24,5%. Analistas apontam que esse setor ganha destaque porque é influenciado pelo sucesso da Lei Cidade Limpa.Diferentemente do que dizem as planilhas da Secretaria de Serviços, responsável pela contratação do lixo, a Prefeitura argumenta que em 2002 eram varridos 175.796,3 quilômetros de vias por mês e houve um aumento de 13,09% nesse percurso no início do ano, quando o trajeto foi estendido para 188.503,3 quilômetros/mês. Já na readequação dos contratos, feita em novembro, novo aumento foi acertado, de 21,26%, para 213.172 quilômetros/mês.Mas a falta de cidadania, somada à fiscalização ineficiente da Prefeitura e à carência de um serviço adequado das empresas contratadas, resulta em muita sujeira pelas ruas de São Paulo. Basta dar uma volta pela cidade para se deparar com montes de lixo nas calçadas e sarjetas.EXEMPLOSAo sair da Avenida do Estado, na alça à direita do acesso à Ligação Leste-Oeste, ao lado da Estação Pedro II do Metrô, a mais recente limpeza no meio-fio foi em 7 de março, um dia antes da visita do presidente dos Estados Unidos George W. Bush a São Paulo. Esse trecho seria rota de passagem de Bush pela capital. Todas as vias por onde a comitiva passaria receberam tratamento especial. Nesse trecho de cerca de 50 metros em curva ascendente, há agora muito papel, papelão, plástico, garrafas plásticas. Recentemente, a sujeira ficou mais concentrada na parte de baixo, trazida pelas chuvas. Pela planilha de serviço para o local, o setor 168, a varrição deveria ser feita diariamente, no turno das 7 horas às 15h20. Há apenas a limpeza da Ligação Leste-Oeste até a Rua Jaceguai.No tampão sobre o Rio Tamanduateí na Avenida do Estado, entre a Praça Álvaro Cardoso de Moura e a Rua Wandenkolk, notam-se até mesmo pequenas toras de madeira, que estão no local há 68 dias. "Aqui na parte debaixo da avenida os varredores passam todo dia. Mas nessa parte de cima eu não vejo ninguém limpar. Nem lembro quando foi a última vez que limparam", observa Cosme Silva, vendedor de móveis para escritório que trabalha entre as Ruas Barão de Jaguara e Oscar Horta.

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