Lindemberg é indiciado, ao lado do pai de Eloá

Júri deve ocorrer no próximo ano e Alves pode pegar mais de 60 anos

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2008 | 00h00

A Polícia Civil concluiu ontem o inquérito policial do mais longo caso de cárcere privado da história de São Paulo, com o indiciamento de Lindemberg Alves, de 22 anos, e do pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos. Alves foi indiciado por crimes que podem resultar em mais de 60 anos de condenação e deve ir a júri popular, presidido pelo juiz José Carlos de França Carvalho Neto, num prazo de 10 a 12 meses. Os advogados do seqüestrador, Ana Lúcia Assad e Edson Pereira, não quiseram se pronunciar sobre a acusação. Já Everaldo, que se apresentava em Santo André como Aldo José da Silva, poderá ser condenado a 8 anos de reclusão por porte ilegal de arma, falsidade ideológica e uso de documento falso. A Polícia Civil realizou buscas em toda a cidade de Santo André, ontem, na tentativa de encontrar Everaldo. Teme-se que ele seja assassinado, como "queima de arquivo". O titular do 6º DP de Santo André, Sérgio Luttzia, pediu o indiciamento de Alves por homicídio doloso duplamente qualificado (por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima) e periclitação de vida (por ter disparado várias vezes contra as imediações do residencial). O acusado, preso na Penitenciária de Tremembé, no interior paulista, também vai responder por cinco cárceres privados, porte ilegal e duas tentativas de homicídio - contra Nayara, de 15 anos, e o PM Atos Valeriano, que iniciou a negociação com o seqüestrador, na segunda-feira. No inquérito, que conta com 26 depoimentos e 185 páginas, não constam a reconstituição do crime - que deve ocorrer em 30 dias, segundo o Ministério Público - e o laudo da perícia. Entre os depoentes estão os cinco policiais do Grupo de Ações Táticas Estratégicas (Gate) que invadiram o apartamento da família Pimentel no Conjunto Habitacional Jardim Santo André e três vizinhos da família da vítima, que relataram terem ouvido um "estampido" antes da invasão. A jovem Nayara, porém, ferida com um tiro na boca, negou "taxativamente" esse disparo. Ao receber o inquérito, ontem, o promotor, Antônio Folgado, disse que espera "uma condenação mínima de 25 anos do seqüestrador". Ele reiterou que o fato de ter havido ou não um disparo não afetará em nada a denúncia, que deve ocorrer até o dia 3. O promotor frisou que a invasão do Gate sempre esteve legitimada pelos artigos 23 e 25 do Código Penal, que prevêem "a legítima defesa de terceiros". "Desde o início, o acusado mostrou a vontade clara e cristalina de matar a Eloá. Ou ela voltava para ele ou Alves a mataria", disse Folgado. "A Nayara só não morreu porque colocou a mão na frente do rosto. Portanto, não importa o disparo, as vítimas estavam sob risco de morte", afirmou o promotor, que elogiou o segundo depoimento da jovem. "É extremamente confiável." IPM O comando da PM substituiu ontem o oficial encarregado de conduzir o Inquérito Policial-Militar (IPM) que vai apurar eventuais falhas do Gate. A decisão foi tomada, segundo a PM, por causa da repercussão da entrevista concedida pelo coronel Eliseu Leite de Moraes após o depoimento de Nayara. Antes mesmo de concluir a investigação, o oficial declarou não ter havido erros dos policiais no episódio que terminou com uma refém morta e outra ferida. O Ministério Público Estadual também designou um promotor para acompanhar a instrução do IPM. COLABOROU BRUNO TAVARES

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