Linha 4 do metrô danificou 747 imóveis

As obras da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo causaram 783 danos em imóveis paulistanos, desde abril de 2006. São de casos simples, como trincas e vazamentos, até ocorrências mais graves, que causaram a remoção dos moradores. Houve 747 imóveis danificados - e 36 passaram por reparos mais de uma vez. "Sempre que são feitos túneis, alguns imóveis acabam sendo afetados. Antes mesmo da licitação, o Metrô define as áreas de influência e fazemos a vistoria cautelar dos imóveis a 50 metros do eixo do túnel", explica o diretor de Contratos do Consórcio Via Amarela, Márcio Pellegrini Ribeiro. Na próxima semana, a escavação chegará à Avenida Ipiranga, na altura do Edifício Copan. Quando a segurança do morador é comprometida, ele é transferido para um hotel ou aluga outro imóvel. Quando não há riscos, se faz um restauro, geralmente provisório. A reforma definitiva só ocorre após a conclusão do túnel. Ainda se pode optar por uma indenização em dinheiro, como se fez com os desabrigados no desabamento da futura Estação Pinheiros, em janeiro de 2007, que matou 7 pessoas e desabrigou 230, de 94 imóveis interditados. No início deste ano, as empresas terminaram de pagar as indenizações. Segundo o consórcio responsável pelas obras, o Butantã é a região mais crítica. "Reparamos até quatro vezes mais imóveis porque a área de influência é superior aos 50 metros", diz Ribeiro. A causa é o solo heterogêneo, composto por rocha, areia, argila orgânica e água. Um dos primeiros a ter problemas foi o dentista Luiz Tomaz Moreira, de 72 anos. Ele atendeu por 38 anos em seu consultório na Avenida Francisco Morato. Há dois, teve de fechar as portas, por causa de rachaduras e infiltrações. As goteiras danificaram duas cadeiras de cirurgião-dentista, orçadas em R$ 20 mil. O quadro de força está enferrujado, equipamentos caros estão sem uso e materiais utilizados para tratamento dentário perderam a validade. "É difícil formar uma clientela, mas é fácil perdê-la." No prédio da frente, as paredes dos apartamentos também apresentam rachaduras. "Começa com um risquinho. Depois as fissuras vão aumentando", explica o administrador de empresas Itamar Vilela, de 62 anos. Ele não reclamou para o consórcio. Para esconder as rachaduras, sua mulher colocou argamassa, pintou e até colocou um quadro grande na sala. "Vamos esperar as chuvas de verão para ver se há infiltrações." A poucos metros dali, o piso de uma concessionária de automóveis apresenta rachaduras. "Há cerca de seis meses, ficaram mais profundas. Fiz um orçamento e terei de gastar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil", afirma o dono, Marco Rodrigo Penha Oricchio. "Os funcionários do consórcio fizeram uma ?gambiarra? com uma massa e pintaram as paredes. Mas as trincas estão voltando."

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2008 | 00h00

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