Linha do metrô 1 valorizou terrenos em 30%

Assessora da Diretoria de Planejamento do Metrô e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Andreina Nigriello estudou para suas teses de mestrado e doutorado o impacto causado pelo metrô no entorno das estações da Linha 1 (Norte-Sul), cujas obras começaram em 1968. Segundo ela, a valorização líquida dos terrenos classificados como Z-2, nos quais são permitidos empreendimentos comerciais e residenciais, chegou a 30%. Andreina identificou que a valorização atinge um raio que varia de 800 metros a 1 quilômetro das estações e se estende às vias abastecidas por linhas de ônibus integradas. "Como a distância entre as estações da Linha 1 é de até 1 quilômetro, neste caso a valorização se deu em toda a extensão, embora tenha sido maior nos extremos", diz, referindo-se às Estações Jabaquara e Santana - na época em que iniciou a pesquisa, ainda não havia o prolongamento na zona Norte até o Tucuruvi. "Isso ocorre porque quanto mais distante o bairro, mais beneficiado ele é. Antes do metrô não havia nada no Jabaquara. O terminal rodoviário só veio em 1977."EscritóriosA Estação Conceição, por exemplo, atraiu lojas de redes de fast-food, como Habib´s e McDonald´s, edifícios residenciais e um conglomerado de prédios de escritórios do Itaú que mudaram a cara do bairro. O mesmo aconteceu nas proximidades das Estações Praça da Árvore, Vila Mariana e Santa Cruz. "Prédios com o mesmo perfil são mais valorizados nesses bairros do que no Morumbi, onde a acessibilidade ainda é ruim", diz Rogério Santos, diretor de Planejamento e Marketing da Abyara, empresa de consultoria imobiliária.Os estudos de Andreina também detectaram um aumento no poder aquisitivo da população. Isso porque a tendência é que, com melhor acesso, as áreas sejam adensadas com a substituição de imóveis horizontais ou modestos por edifícios. "Os lançamentos de edifícios com dois e três dormitórios desenham a Linha Norte-Sul."Em 1973, predominavam na região casas e sobrados de padrão médio, com índices de aproveitamento dos terrenos que variavam entre 0,4 e 0,7. Em 1977, três anos após o início da operação do metrô, observou-se crescimento na área construída e aumento do padrão dos imóveis. O maior adensamento ocorreu em Santana, que ganhou até prédios de médio e alto padrão.O crescimento populacional superior a 34% (mais de 50 habitantes por hectare) se concentrou principalmente em Santana, na Vila Mariana e na Saúde entre 1970 e 1980. A renda média aumentou, respectivamente, 84%, 62% e 70% nesses bairros.ShoppingsOs efeitos positivos recaem sobre o faturamento do Metrô. Nas estações integradas a shoppings, o movimento nos trens aumentou após a abertura das lojas. Nesses casos a companhia atua como empreendedor e concede a exploração dos centros comerciais por prazos que variam de 40 a 50 anos em troca de participação na receita bruta.No primeiro ano de funcionamento de shoppings nas Estações Santa Cruz e Tatuapé, o movimento cresceu 11% e 14%, respectivamente. No dia 31, o Metrô lançou o seu terceiro shopping, o Itaquera, que deve ficar pronto em três anos.Em todo o mundo, o metrô vem sendo utilizado como catalisador de investimentos imobiliários. Em Londres, o poder público levou à região dos cais, chamada de Dock Land, virtualmente abandonada, a Jubilee Line do metrô, ao mesmo tempo em que empreiteiras construíam conjuntos de escritórios que, por sua vez, atraíram hotéis, centros de convenções, restaurantes, galerias de arte e lojas."Hoje, um francês pega o TGV (trem expresso) na Gare du Nord de Paris até Londres, desce na Estação Waterloo, onde faz baldeação para a Jubilee Line para ir ao escritório. De lá, pega o metrô até Westminster, no centro de Londres, onde pode almoçar, tira a tarde para assistir a um concerto em um dos teatros ao redor da Estação South Bank e toma o trem de volta para Paris. Chega a tempo de jantar com a família", diz Peter Ludwig Alouche, assessor técnico da presidência do Metrô. "É uma facilidade."Obras da Linha 4 do Metrô de SP causam polêmica entre moradoresNovas linhas do metrô mudam a cara de SP

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