Lista registra 6 museus ''fantasmas''

Embora instituições só existam no papel, constam como ativas e atreladas à Secretaria de Estado da Cultura

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h00

Dos 49 museus indicados pela Secretaria de Estado da Cultura como "em fase de municipalização", 12 estão fechados e 6 são museus "fantasmas". Embora só existam no papel, essas instituições aparecem como ativas e atreladas à pasta no cadastro das unidades administrativas disponível no site da Secretaria de Estado da Fazenda. Fantasma, por exemplo, é o Museu Histórico, Artístico e Folclórico Luiz Gonzaga, de Embu. "Foi desativado em 1993, por falta de pagamento do aluguel do prédio", conta o atual secretário municipal da Cultura, Paulo Oliveira da Silva. "O acervo se espalhou. Há quadros no Centro Cultural, no Museu de Arte Sacra e algumas peças no prédio da prefeitura. E, com certeza, sumiu alguma coisa." Para a lamentação dos que tinham ligação com o espaço, Silva diz que não tem como reimplantá-lo. "Fico muito triste porque as obras foram para todo lado e muitas peças desapareceram", desabafa a artista plástica Raquel Trindade, cujo pai foi um dos fundadores do museu, em 1968. "É a nossa cultura sendo destroçada." A coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria de Estado da Cultura, Claudinéli Moreira Ramos, admite que houve alguns casos de sumiço de peças, mas afirma que não chegou ao seu conhecimento nenhuma história de acervo completamente perdido. "De qualquer forma, vamos estudar detalhadamente cada situação." Em Campinas, o Museu Histórico e Pedagógico Campos Salles, foi simplesmente desalojado após a interdição, em 1996, do Palácio da Mogiana, onde a instituição funcionava. O acervo foi então recolhido e trazido à capital, onde repousa, numa reserva técnica da Secretaria da Cultura. Uma surpresa para própria Secretaria Municipal da Cultura que não tinha informação do paradeiro da coleção. "Ao menos desde 1992, quando cheguei à secretaria, posso dizer com segurança que a prefeitura não teve notícia do acervo", afirma o coordenador do Departamento de Extensão Cultural de Campinas, Américo Villela, responsável pelos museus locais. "Até aqui, ninguém falou nada de municipalização, muito menos de um lugar que nem existe." Em São Joaquim da Barra, a desinformação também é geral. De acordo com a prefeitura, o Museu Histórico e Pedagógico Barão de Pinto Lima teria sido extinto há cerca de 20 anos. "Algumas coisas estão no almoxarifado, mas a maior parte se perdeu", conta o assessor de Relação com a Comunidade, José Renato Fiori. "Nunca tive acesso a essas peças", admite a responsável pelo Setor de Educação e Cultura, Carmem de Freitas e Silva. "Também não me falaram nada sobre esse processo de municipalização." Ainda não há destinação definida para o acervo dos museus que não tiveram continuidade - geralmente peças de valor local, sobre costumes das cidades do interior entre os séculos 19 e as primeiras décadas do século 20. "Vamos analisar e avaliar o valor de cada patrimônio. Existem museus que receberam doação de todo tipo de material, sem referência ou importância histórica", diz Claudinéli Moreira Ramos. ESPAÇO REAPROVEITADO Além das instituições que simplesmente sumiram, há museus cujos acervos foram incorporados por outros equipamentos de cultura municipais. Em Mogi-Guaçu, Monte Mor e Bauru, as coleções dos museus dos municípios - Dr. Sebastião José Ferreira, Dr. Carlos de Campos e Morgado de Matheus, respectivamente - foram anexadas a outras instituições e, hoje, os administradores não diferenciam mais o acervo. Nos três casos, os museus tiveram de ceder espaço para órgãos públicos - escritórios da prefeitura, departamento de águas e esgoto, uma farmácia popular -, quando foi trocada a administração. Para Simona Misan, doutora em História Social pela USP - cuja tese foi sobre museus locais -, o fato de o governo planejar a municipalização de uma instituição que só existe no papel pode incentivar os municípios a recriar museus. "Vai servir para relembrar uma história que já era praticamente esquecida, ou, pelo menos, para regularizar a situação e extinguir de vez", diz. "Cada cidade precisa avaliar a necessidade de ter ou não um museu."

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