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Litoral: caos vai pelo menos até 2011

Esse é o prazo para que obras do Estado contra gargalos no transporte e no abastecimento dêem resultado

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 00h00

Autoridades estaduais culparam a crise aérea, o calor, o aquecimento da economia e o boom imobiliário nas cidades litorâneas pelas deficiências de infra-estrutura que tiraram a paciência dos turistas nas praias paulistas no Natal e no réveillon. Mas os problemas deverão continuar pelo menos até o início de 2011. Parte dos projetos para desafogar gargalos de abastecimento de água, de acesso ao litoral e de transporte público, os que mais afetam a vida dos veranistas, só devem começar a dar resultado, no mínimo, em 2011 - alguns terão de esperar até 2016.A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) considera que a falta de água no fim de ano foi causada pela combinação de temperatura elevada, que fez diminuir o nível dos reservatórios, e fluxo recorde de turistas. A estatal garante que no litoral norte, por exemplo, os sistemas de abastecimento de Caraguatatuba, Ubatuba e São Sebastião produziram em média 20% mais do que no mesmo período de 2006. Em Ilhabela, a produção superou a do verão passado em 50%. Ainda assim, não foi o suficiente para atender à demanda. "Precisaríamos de ainda mais 5% a 10% para atender todo mundo", diz o presidente da Sabesp, Gesner José de Oliveira Filho. Para isso, a Sabesp promete investir R$ 190 milhões no litoral norte e mais R$ 390 milhões na Baixada Santista. A verba será usada para construir sistemas produtores de água, aumentar a capacidade de alguns já existentes e retomar as obras de estações de tratamento que estão paradas há cerca de dois anos - como as de Paúba, Maresias e Baleia, em São Sebastião. Os investimentos serão feitos até o fim de 2010 no litoral sul e até 2012 no norte. A Sabesp também prevê um programa de redução de perdas e melhoria na qualidade da água com recursos de R$ 350 milhões. O prazo vai até dezembro de 2012."Não teremos mais grandes problemas até o carnaval, talvez coisas pontuais. Este verão foi atípico", disse Gesner.Neste réveillon, por força das filas registradas no feriado do Natal, o número de carros que desceu para o litoral pelo Sistema Anchieta-Imigrantes foi 12,3% inferior ao do mesmo período do ano passado. Mas isso não impediu problemas nas estradas e no trânsito local em cidades como São Vicente, Guarujá, Bertioga, Ilhabela e Ubatuba.Embora recorrentes, os problemas de acesso ao litoral só começarão a ser resolvidos em cinco anos. O secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, adiou para 2016 a entrega da terceira faixa na Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, entre Praia Grande e Cubatão. Na avaliação da secretaria, havia mais urgência em desafogar o trânsito na altura do km 262 da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, em Cubatão. A construção de um viaduto orçado em R$ 42 milhões deve facilitar a circulação de caminhões que se deslocam entre Santos e o pólo petroquímico.Arce afirmou também que o governo não tem projetos para acabar com os seis semáforos na Rodovia dos Imigrantes em São Vicente, os vilões do colapso dos dias 1º e 2, quando milhares de turistas ficaram parados na Manuel da Nóbrega e na Via Expressa Sul de Praia Grande por até dez horas. Para ele, a obra seria muito cara e complexa para resolver problemas que ocorrem apenas duas vezes no ano, no réveillon e no carnaval. "Para tudo existe um limite e a gente verificou um colapso em todo o serviço público neste réveillon. Eu já fui síndico de prédio no Guarujá e sei como é. O cara coloca 15 num apartamento onde cabem 5."Mas um projeto do governo que pode ajudar a aliviar congestionamentos na Baixada Santista é o da linha de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) - espécie de bonde. Na primeira etapa, prevista para maio de 2010, serão investidos R$ 640 milhões num trecho de 11 quilômetros entre o Porto de Santos e o Terminal Barreiros, em São Vicente. Apesar de estar focado em duas cidades, o plano deve beneficiar os nove municípios da região, porque levará à reestruturação do sistema de ônibus operado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).Também sem cartas na manga para melhorar rapidamente a infra-estrutura do litoral, a Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo aposta na divulgação de outros destinos para aliviar o fluxo nas praias. "Em 2007, investimos R$ 51 milhões nas cidades litorâneas. Mas não dava para prever esta demanda", disse o secretário Claury Alves da Silva, que passou a virada do ano em Ourinhos, no interior, para "fugir dos problemas". "Queremos fomentar o turismo em outras localidades. Temos em São Paulo 45 destinos turísticos identificados para servir de opção."

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