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Litoral de SP ganhará mais moradores com nova Imigrantes

A população de Santos, incluindo Bertioga, saltou de 345 mil pessoas em 1970 para 416 mil em 1980. Reflexo da inauguração da primeira pista da Rodovia dos Imigrantes, entre 1974 e 1976, segundo especialistas. Foram 20,57% (71 mil) moradores a mais em pouco tempo. Um ritmo diverso do ocorrido na década seguinte, que incorporou só 12 mil pessoas ao total, e dos 19 mil juntados entre 1990 e 2000. "Levando em conta esses números, é certo que a segunda pista da Imigrantes, a ser entregue terça-feira, vai aumentar a população fixa, não só de Santos, mas de outras cidades da Baixada", diz o vice-prefeito e secretário do Planejamento de Santos, João Paulo Tavares Papa. Várias prefeituras da região já começam a fazer contas. A expectativa é que a nova estrada de 21 quilômetros, encurtando o tempo gasto entre capital e litoral, tente moradores de São Paulo a mudarem a residência para beira-mar, mantendo o emprego no planalto. Pesquisa da prefeitura de Praia Grande com donos de imóveis de veraneio revelou que 12% deram como certa a mudança para lá. "E 48% estudam a hipótese de morar na praia", disse o prefeito Alberto Mourão (PMDB). Há 98 mil imóveis de temporada na cidade. Mas Mourão não acredita que seja uma alteração de endereço imediata. "Muitos vão precisar de um imóvel maior ou reformá-lo, encontrar escola, matricular os filhos", diz. Para ele, é um processo que vai ser definido a partir de 2004, pelo menos. "Pela pesquisa, serão cerca de 45 mil a 50 mil moradores a mais. Isso é assustador, mas a cidade vai comportar." Como construtor, diz que já sentiu a influência da segunda pista. "A taxa de moradia fixa nos prédios era de 3% e já passou para 18%." A dona de casa Valdelice Ferreira, de 48 anos, já pensa em se mudar para Praia Grande. "Compramos um apartamento de um dormitório para temporada. Mas gostei tanto que quero viver lá de vez. Meu marido ficaria trabalhando no Butantã, em São Paulo, porque vai ser rápido chegar à praia com a estrada nova", aposta ela, que já gastou sete horas até a Baixada no feriado de Finados. Já sonha em comprar o apartamento vizinho e aumentar o seu, quebrando umas paredes. "Ele é bom para as férias, mas pequeno para morar." Valdelice vive numa casa de quatro dormitórios em Guarulhos. Ela acredita que, no litoral, os filhos, de 6 e 11 anos, terão mais qualidade de vida. "A violência é a mesma, mas eles vão aproveitar mais a infância na praia do que trancados em casa." O prefeito do Guarujá, Maurici Mariano (PTB), aposta na vinda dos paulistanos. "Com a maior facilidade de acesso à região metropolitana da Baixada Santista, Guarujá se tornará um Morumbi com mar, um elegante bairro de São Paulo." Especialistas em meio ambiente, porém, estão preocupados com a capacidade das cidades de absorver a demanda. Abastecimento de água e coleta e destino do lixo sempre foram críticos no litoral. SurtoA região metropolitana da Baixada aposta em novo surto de desenvolvimento com a nova pista da Imigrantes. Mais turistas e moradores fixos são esperados, mas os empresários da construção civil questionam o preparo na recepção dessa nova população. "Que tipo de desenvolvimento a estrada trará, o positivo ou o predatório?", pergunta o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), José Marcelo Ferreira Marquez. Segundo a Assecob, a construção civil é responsável por 53% das atividades industriais da Baixada, o que fez o setor superar o Pólo Industrial de Cubatão, e estima que a nova pista, associada ao Rodoanel, pronto em 2006, provocará aumento de 15% na população regional. "Já se nota nos plantões de venda dos prédios a procura de imóveis por famílias da capital." O corretor Rúbio Pinto Vasconcelos diz que quase 10% de seus clientes já são de outras cidades. Para ele, haverá expansão dos negócios, mas não tanto quanto o esperado. "Cidades como Guarujá e Praia Grande receberão mais do que Santos, onde a falta de terrenos tornou os imóveis caros." Para o construtor José da Costa Teixeira, da Macuco, quem veio para a região pensando no boom que a Imigrantes trará está voltando. "Estão acostumados com um mercado que absorve bem mais imediatamente os lançamentos." Marquez diz que as cidades não se prepararam adequadamente para receber um movimento maior: "A segunda pista vai eliminar um gargalo, mas outros serão formados nas rodovias do litoral." Ele espera que os problemas sejam sanados logo, "para que o desenvolvimento não seja predatório e não prejudique a qualidade de vida que a região oferece".

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