Litoral tem 6 aterros em estado crítico

Lixão de Ubatuba pode fechar, caso área de transbordo não seja concluída

Diego Zanchetta, Rejane Lima e Simone Menocchi, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2008 | 00h00

Na reclassificação da Cetesb realizada em setembro, 6 cidades dos litorais norte e sul estão entre as 67 com aterros em situações críticas: Cananéia, Caraguatatuba, Ilha Comprida, Itanhaém, Mongaguá e Ubatuba. "Se Ubatuba não fizer uma estação de transbordo do lixo até novembro, o aterro será interditado", adverte o diretor de Controle de Poluição da Cetesb, Marcelo Minelli. Procurada, a prefeitura informou que as obras estão em andamento. O lixo é um dos principais problemas para as quatro cidades do litoral norte e atualmente três recorrem ao transbordo. A proximidade com a Serra do Mar e a preservação de áreas de mata atlântica estão entre as principais dificuldades para a instalação de aterros sanitários, que há oito anos é negociada com o governo estadual. As prefeituras apontam que a solução seria um aterro regional na região sul de Caraguatatuba. Ilhabela e São Sebastião transportam o lixo para um aterro em Tremembé, no Vale do Paraíba - um dos prováveis destinos para onde poderá seguir a sujeira de Ubatuba. Em 15 dias, a prefeitura pretende abrir licitação. Os gastos deverão passar de R$ 700 mil para R$ 1,5 milhão por ano. "Esse volume é maior do que a verba deste ano para pavimentação de todo o município", diz o secretário de Obras e Serviços Urbanos, João Paulo Rolim. Atualmente, o município gasta, em média, R$ 600 mil por mês com coleta, transporte e depósito do lixo, que chega a 100 toneladas por dia e sobe para 250 toneladas na alta temporada. A cidade também faz transbordo, só que para um aterro legalizado em Santa Isabel. Durante 30 anos, o lixo da cidade foi depositado num aterro fora dos padrões, numa área de 130 mil m² na Fazenda Serramar. LITORAL SUL Com lençóis freáticos superficiais, nascentes e muita chuva, a condição geográfica do litoral sul é a pior inimiga dos aterros. Além disso, o meio ambiente pouco degradado, parques estaduais e diversas Áreas de Preservação Ambiental (APAs) dificultam o cumprimento das exigências da Cetesb. Em junho, a situação de Mongaguá e Itanhaém chegou ao limite e seus lixões foram interditados. A partir daí, ambas passaram a exportar lixo: o de Mongaguá vai para Santos, e o de Itanhaém, para Mauá. "É um custo que não estava planejado. Tínhamos cinco anos e meio para cumprir as obrigações do plano de adequação aprovado pela Cetesb em 2005", diz o diretor do Departamento de Meio Ambiente de Itanhaém, João Paulo de Barros Monteiro. A Cetesb alega que uma resolução de novembro interpôs o acordo e a prefeitura foi notificada várias vezes. Em Mongaguá, o poder público toma medidas paliativas para melhorar a condição ambiental do transporte do lixo e diminuir os custos. "Desapropriamos uma área para criar uma estação de transbordo, assim o lixo passa direto do caminhão da coleta para o caminhão que vai até Santos. Também vamos construir um galpão para a triagem do lixo reciclado", afirmou o diretor municipal de Meio Ambiente, Tenisson Azevedo Junior, que prevê queda de 20% no peso do lixo exportado, cuja média é de 20 toneladas diárias, com a coleta seletiva. Segundo ele, a solução a médio prazo ficará para a próxima administração. "Eles que vão ter de definir se vão conseguir uma nova área para o aterro ou vão continuar exportando." Arranjar uma área adequada tem sido o maior problema de Cananéia e Ilha Comprida, que, embora não tenham lixões interditados, reconhecem a situação crítica. "Chegamos a pagar uma empresa de São Paulo para pesquisar uma área para enviarmos o lixo daqui e de Iguape, que é coletado por uma empresa bimunicipal. Estamos esperando a Cetesb aprovar uma área há pelo menos seis anos", disse o diretor de Ecologia e Turismo de Ilha Comprida, Armando José Prado Barone. A Cetesb diz que o único pedido que aguarda aprovação na região é de Juquiá. O diretor de Meio Ambiente de Cananéia, Edison José Alves, admite que o aterro do município está condenado. "Apresentamos uma área desapropriada, mas a Cetesb não aprovou."

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