Livre de algemas, Fernandinho Beira-Mar é julgado no Rio

Advogado do traficante alegou que seu cliente tem os mesmos direitos do ex-banqueiro Salvatore Cacciola

Solange Spiglitti, do estadao.com.br,

15 Agosto 2008 | 13h29

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, não está usando algemas durante o julgamento desta sexta-feira, 15, já que a juíza aceitou o pedido do advogado de Beira-Mar, Francisco Santanna, no início da audiência. Beira-Mar é julgado no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, pela juíza Maria Angélica Guerra Guedes, por associação ao tráfico.   Veja também: Beira-Mar presta depoimento nesta sexta no Rio    Antes do início do julgamento, Francisco Santanna afirmou que iria fazer o pedido à juíza, alegando que o traficante tem os mesmos direitos do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. "A única diferença é que ele nasceu em berço de ouro, mora em mansão e é rico. Fernandinho Beira-Mar é negro, nasceu na favela e mora na cadeia. Mas o direito é o mesmo".   Fernandinho Beira-Mar chegou algemado ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio, por volta das 7 horas desta sexta. Cerca de 15 policiais federais fazem a segurança no andar do edifício onde ocorre o julgamento. Ele chegou na quinta-feira ao Rio de Janeiro, vindo do Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul e ficou na sede da Polícia Federal, no Centro do Rio.   Fernandinho Beira Mar foi denunciado pelo Ministério Público em 2000, com outros oito réus. Um deles, Charles Silva Batista, o Charles Lixão, foi denunciado por tentativa de homicídio. Ele é acusado de ser o mandante dos disparos contra policias em 24 de maio de 1996 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.   Beira-Mar faz parte da denúncia, segundo o Tribunal de Justiça, por participar da mesma organização criminosa de Charles do Lixão. Em depoimento, Fernandinho Beira-Mar disse que estava em Belo Horizonte fazendo um curso pré-vestibular em 24 de maio de 1996 e por tanto não poderia ter participado do crime em questão.   O promotor do caso, no entanto, explicou aos sete jurados que o crime por associação ao tráfico é um crime permanente, e não apenas um ato momentâneo e definido no tempo, como um homicídio.

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