Livro conta a história do jingle eleitoral

Especialista em marketing político, Carlos Manhanelli coleciona peças há 37 anos

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

O alfaiate José Raimundo de Castro levou menos de uma hora para compor um dos mais tocados jingles eleitorais de todos os tempos. Castro estava em seu ateliê quando cantarolou pela primeira vez o bordão "Ey, Ey, Eymael". Desde 1985, a música é usada por José Maria Eymael (PSDC), que no ano passado concorreu pela terceira vez à Presidência.

"Eymael era um nome difícil, mas eu pensei que, se o povo conseguisse aprender, jamais iria esquecer", diz Castro.

Para o especialista em marketing político Carlos Manhanelli, que na semana passada lançou um livro sobre o assunto, esse é um dos melhores exemplos de um jingle que ficou conhecido nacionalmente, mas não levou seu candidato à vitória. Eymael nunca foi presidente, mas todo mundo lembra que ele é um democrata cristão.

Manhanelli coleciona jingles eleitorais há 37 anos. De acordo com ele, um bom jingle tem de reunir, no mínimo, cinco itens: o nome do candidato, o número, a principal bandeira da campanha, o partido ou a coligação, além de respeitar as diferenças regionais. "Você não vai fazer um frevo para tocar no Rio Grande do Sul e não vai fazer um vanerão para tocar em Recife", diz.

Sem usar um dos ingredientes dessa receita, o músico Hilton Acioli compôs um dos mais famosos jingles da história política brasileira: o Lula-lá, usado na campanha à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989. "Eu nunca falo o nome do partido nas minhas músicas, prefiro usar referências mais sutis." Apesar de sempre receber pedidos "para fazer algo parecido com o Lula-lá", Acioli diz que um bom jingle deve observar a personalidade do candidato. "Cada pessoa tem uma cara."

Emoção. Lázaro do Piauí, que se tornou um dos queridinhos do PT após compor o jingle Deixa o Homem Trabalhar, usado no segundo turno da campanha à reeleição de Lula, em 2006, diz que se baseia apenas em uma premissa para escrever suas letras: "O que não emociona não funciona".

Os tucanos também têm o seu "jinglista" preferido: o publicitário PC Bernardes, que fez parte da equipe que criou o Levanta a Mão para a campanha de Fernando Henrique Cardoso à Presidência em 1994. Há 25 anos no ramo, Bernardes diz que sempre trabalhou apenas para pessoas em quem votaria. "Tenho restrições pessoais, não partidárias."

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