Livro esclarece dúvidas sobre tuberculose

A partir de uma experiência no ambulatório da Unidade de Pesquisa da Tuberculose do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, três pneumologistas reuniram as principais dúvidas de pacientes no livro "Tuberculose sem medo", que será lançado em setembro. Os médicos Marcus Conde, Gilvan Muzy de Souza e Afrânio Kritski esclarecem em linguagem simples mais de 150 perguntas de doentes e familiares e desfazem mitos em torno da tuberculose, como o que ensina que saião e agrião auxiliam na cura da doença. A obra, publicada pela Editora Atheneu, será vendida em bancas de jornais do Rio e de São Paulo a preço popular - R$ 7,00.O livro explica, por exemplo, que não é necessário separar talheres, copos e pratos do doente. "A tuberculose é transmitida pela secreção pulmonar, que é expelida pela tosse e pelo espirro. A saliva não tem o bacilo de Koch, que transmite a doença", esclarece Conde. O livro também ensina que gripe forte não vira tuberculose e que não é preciso afastar o doente do convívio familiar. Basta manter a casa bem ventilada e pedir que o paciente leve um lenço à boca sempre que tossir, evitando que o bacilo vá para o ar.Outra dica: alguns medicamentos reduzem o efeito de pílulas anticoncepcionais. As mulheres precisam usar outro método para evitar gravidez. Após duas semanas de tratamento o doente não transmite mais o bacilo de Koch e a vida sexual pode seguir normalmente.Marcus Conde conta que ele e seus colegas começaram a anotar as dúvidas de pacientes e de seus parentes que atendiam no ambulatório e nos consultórios. "Às vezes não dá tempo de ficar 40, 50 minutos com cada doente, por causa do grande volume de pacientes. Então pensamos em criar um manual para os nossos clientes daqui mesmo", diz. "Mas quando reunimos todas as questões, chegamos a mais de 200, perdemos a conta". A idéia, então, foi transformar o manual em livro.Um dos capítulos conta a história da tuberculose, doença tão antiga que já foi identificada até em múmias. Outro fala sobre personalidades que tiveram a doença, gente como o compositor Noel Rosa, o político Afonso Arinos e o padre Antônio Vieira. "É uma tentativa de dissociar a imagem da doença da boemia. A tuberculose não escolhe classe social, cor ou credo. E é uma bobagem ter vergonha da doença", diz Conde.O Rio de Janeiro é o Estado com maior índice de doentes do País - 98 casos em grupos de 100 mil pessoas. Esse número é quase o dobro da média nacional, de 54,7 habitantes em cada 100 mil. "Todos os anos surgem no Brasil entre 80 e 90 mil casos novos e morrem entre 150 e 200 pessoas diariamente em toda a América Latina. E estamos falando de uma doença totalmente curável, cujo remédio é gratuito e para a qual existe vacina", diz Conde. Ele espera que o livro ajude a reduzir esses índices.

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