Livro narra luta paulista em HQ

Crianças são alvo de cartunista

Vitor Hugo Brandalise, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

Dividida quadro a quadro, uma outra história da Revolução Constitucionalista de 1932. Pela primeira vez, o conflito é retratado em quadrinhos, com ilustrações leves e narrativa simplificada, para explicar a crianças a partir dos 9 anos os significados da Revolução. A obra A Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos, do cartunista Maurício Pestana, lançada nesta semana pela Imprensa Oficial do Estado, tem desenhos baseados em fotos originais da época, levantadas no Arquivo Histórico Municipal. "Pesquisei e desenhei, dia e noite, por dois meses, em consultas a mais de 20 livros históricos e análise de 50 fotos de época", conta. Em 32 páginas, Pestana retrata a Revolução - antecedentes, tropas entrincheiradas no Estado, rendição após três meses de conflito e, por fim, a Assembleia Constituinte que ratificou os ideais paulistas. "Procurei mostrar alguns símbolos da cidade que homenageiam a Revolução, como a Avenida 9 de Julho, o Obelisco do Ibirapuera e a Avenida 23 de Maio (data em que os jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - MMDC - foram mortos por tropas do governo Vargas, um dos estopins da Revolução), cujos significados passam despercebidos", conta o cartunista. Com tiragem de 5 mil exemplares, os quadrinhos também destacam a participação dos negros na Revolução. "Os livros históricos dão pouca ênfase à participação dos negros, que representavam um terço das tropas", conta Pestana, criador de outros quadrinhos didáticos, como os que retratam a Revolta da Chibata, levante de militares em 1910. Além da pesquisa histórica, o autor teve a oportunidade de entrevistar dois ex-combatentes da Revolução e alguns de seus familiares. Os livros serão distribuídos a escolas estaduais e, em breve, estarão disponíveis para venda (R$ 12), em livrarias. "Basta perguntar e veremos que a maioria dos jovens não tem ideia do significado do MMDC, nem o que tem a ver com 23 de maio, por exemplo. Temos de mostrar desde cedo às crianças respostas a perguntas assim."

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