Livro pode ter levado ao assassinato de Marcinho VP

A revelação de segredos do tráfico, contida no livro "Abusado", do jornalista Caco Barcellos, em que o traficante Marcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, contou como funciona a facção criminosa Comando Vermelho, pode ter levado ao assassinato do bandido dentro do presídio Bangu 3. A hipótese foi levantada pelo secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, e reforçada por amigos do criminoso.Os presos do Comando Vermelho estariam insatisfeitos com o fato de Marcinho ter fornecido detalhes sobre o esquema da venda de drogas - quem são os traficantes, quais são as rotas que a droga percorre, que outros crimes a quadrilha praticava, como os inimigos eram mortos.O secretário de Administração Penitenciária disse que seu serviço de inteligência descobriu um telegrama ameaçador recebido por Marcinho no último fim de semana que dizia "Cala a boca, senão você vai pra vala. Você tá querendo aparecer demais." O secretário, que disse não ter visto o telegrama, afirmou ainda que desconhece a autoria.SuspeitosNo livro de Caco Barcellos, Marcio Amaro de Oliveira é Juliano. A história conta como ele chegou à liderança da venda de drogas no Morro Dona Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio. Outros traficantes são citados. Eles têm os nomes trocados, mas são fáceis de identificar. O Estado tentou falar com Caco Barcellos, que mora em Londres, pelo telefone, mas ele não foi encontrado. Há dois suspeitos de ter mandado matar Marcinho. Um é antigo comparsa do traficante, Ronaldo Pinto Lima e Silva, da Ladeira dos Tabajaras, detido no presídio Ary Franco. Outro suspeito é o traficante Marcio Nepomuceno, do Complexo do Alemão, que também é conhecido como Marcinho VP. Ele é um dos cabeças do Comando Vermelho. Já prestaram depoimento quinze dos 57 presos que partilhavam a cela com Marcinho - encontrado numa lata de lixo na galeria A3, morto por estrangulamento. Os detentos negaram participação no crime. Os três agentes que estavam de plantão disseram que não viram nada. Relataram que só saíram à procura de Marcinho porque o advogado do traficante, Ezequiel Costa, estava no presídio para vê-lo. O secretário de Administração Penitenciária informou que Marcinho foi morto na hora do almoço, quando as celas são abertas para os presos se alimentarem.

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