José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Lojas de Aparecida vendem artigos religiosos de até R$ 10 mil

Quadro de São Jorge da Capadócia, na esteira da novela Salve Jorge, está entre os mais vendidos

José Maria Mayrink, Estadão

22 Abril 2013 | 17h46

ENVIADO ESPECIAL / APARECIDA - De batinas e solidéus a paramentos litúrgicos e fotos emolduradas do papa Francisco, os fregueses eclesiásticos encontram de tudo nas 23 lojinhas montadas na recepção do Centro de Eventos do Santuário de Aparecida, durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os preços variam pouco, mas os modelos fazem a diferença para bispos e padres que escolhem os melhores tecidos ou preferem artigos importados aos similares nacionais. A concorrência é grande entre os mostruários de prateleiras e cabides dos comerciantes – religiosos ou leigos – que disputam a clientela.

“Vendemos quase só material italiano de excelente qualidade”, informa Vinícius Ribeiro, cujo irmão, Luiz Fernando de Abreu Ribeiro, o proprietário da Clero Brasil, passou metade da reunião da CNBB em Vicenza, na Itália, participando de uma exposição de arte sacra para conferir as novidades e renovar o estoque.

O chamariz da Clero Brasil, cuja sede fica em São João da Boa Vista (SP), é um manequim vestido de bispo, com batina preta de botões roxos e solidéu, numa oferta de ocasião – 100% lã fina, artigo italiano, de R$ 2.445,00 por R$ 1.899,00. Sob encomenda, porque a batina episcopal tem de adaptar às medidas do comprador. Se serve no comprimento, às vezes não fecha na barriga.

Na loja do Apostolado Litúrgico, das Pias Discípulas do Divino Mestre, a batina nacional, confeccionada sob encomenda, custa mais barato e, segundo as freiras do balcão, têm muito procura por causa da boa qualidade. Têm muita saída também os solidéus roxos de bispos, a R$ 90,00 a unidade, 10% menos que o preço dos importados.

Solidéu é uma peça que os bispos usam sempre nas celebrações ou em reuniões sociais, enquanto a batina tem andado fora de moda, exceto nas audiências com o papa no Vaticano ou, como vai ocorrer em julho, em cerimônias como as da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio. Dos 361 participantes da assembleia, só dois usam batinas. Estolas, casulas e mitras também são artigos de primeira necessidade para o episcopado.

Algumas das lojas que vendem paramentos e apetrechos litúrgicos oferecem metais e peças douradas, como cálices, sacrários e cruzes peitorais. O preço aí sobe bastante, variando de R$ 1 mil a R$ 10 mil. Vendidos pela internet, esses artigos são entregues pelo correio, raramente carregados em mãos pelo comprador. Os bispos usam cartão de crédito, mas costumam pagar em espécie quando vão às lojas.

Na Clero Brasil, os bispos experimentam as batinas por cima do clergyman (terno com colarinho eclesiástico), porque não há provador na loja. Karina, mulher de Vinícius, ajuda nas vendas, mostrando a qualidade do tecido e a elegância do modelo. Mitras precisam ter medida exata para a cabeça. Estolas, casulas e túnicas se adaptam fácil ao manequim.

Entre outros artigos religiosos, a empresa Bizantinos, de São Paulo, oferece um quadro de São Jorge da Capadócia a R$ 70,00, artigo vendido com sucesso na esteira da novela Salve, Jorge, ao lado de ícones orientais estampados no Brasil com base em matrizes gregas. Uma Via-Sacra oriental de 15 estações (a católica ocidental tem 14), custa R$ 700,00. Entre as molduras, a figura sorridente de Francisco, também a R$ 70,00, ou a R$ 10,00 só a estampa de papel. Biografias e escritos do novo papa foram destaque nas vitrines das livrarias católicas.

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