Lojas de Congonhas também sofrem com crise aérea

Nem quem poderia saiu ganhando com o fluxo maior de pessoas e as longas esperas decorrentes da crise aérea. No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o mais movimentado do país, a última coisa que os cansados e irritados passageiros pensam é em comprar. Na segunda-feira desta semana, em que o aeroporto ficou abarrotado e era quase impossível transitar pelos corredores, as lojas estavam praticamente "às moscas". E a situação deve se agravar ainda mais com a decisão do governo de reduzir as rotas que partem de Congonhas, reação ao pior acidente aéreo do país. No dia 17, um Airbus A320 da TAM caiu com 187 pessoas a bordo e matou outra dezena em terra. "As pessoas pensam que, por causa da maior quantidade de pessoas, vende-se mais, mas não", comentou Sueli Lima, vendedora de 28 anos. "Elas não entram, ficam irritadas. Quem vai comprar camisa nessa hora?" Sueli calcula que o faturamento da loja de roupas e acessórios caiu cerca de 30 por cento desde o acidente com o Boeing da Gol, em setembro, que matou 154 pessoas e deu início a problemas com o tráfego de aeronaves no país. As medidas anunciadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na sequência do acidente da TAM para desafogar Congonhas incluem restrição a vôos com duas horas de duração, sem conexões, e o fim dos fretados. Partidas estão sendo transferidas para o aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas. Isso deve diminuir também o fluxo de pessoas e, segundo lojistas, piorar ainda mais as vendas. Em Congonhas é possível encontrar de tudo um pouco. Além de restaurantes e lanchonetes, o aeroporto conta com farmácia, lojas de roupas, perfumes e cosméticos, joalheira, livraria e tabacaria. "Registramos um aumento significativo de fluxo de pessoas na loja do aeroporto de Congonhas devido aos atrasos, mas esse movimento não se reflete em vendas na mesma proporção", afirmou a assessoria do Boticário, que tem uma loja no local. Segundo a assessoria, enquanto nos outros aeroportos a empresa constatou um crescimento nas vendas de, em média, 10,43 por cento no primeiro semestre deste ano, a loja de Congonhas apresentou um aumento de apenas 4,71 por cento ante o primeiro semestre do ano passado. Engraxate há 43 anos em Congonhas, Percival Figueiredo, 59 anos, que "nunca viu uma bagunça assim", afirma que a loja onde trabalha pode até fechar caso a situação não melhore. "O movimento foi quase a zero desde a tragédia da TAM. A firma que eu trabalho não tem filial em Cumbica. As outras têm, então dá para aguentar", contou. Reinaldo Cabral, de 28 anos, gerente de uma das lojas do aeroporto, relata que o movimento vem caindo desde a operação-padrão iniciada pelos controladores de vôo no final do ano passado, após o desastre da Gol em setembro, que matou 154 pessoas. "O pessoal não estava com vontade de comprar. E agora (com o acidente da TAM), foi o xeque-mate. Na época do apagão, o faturamento caiu 30 por cento. Agora, caiu drasticamente", disse, acrescentando que a expectativa para o futuro é "negativa".

HENRIQUE MELHADO BARBOSA, REUTERS

27 Julho 2007 | 13h28

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