Longa negociação é estratégia contra rebelados

Negociar à exaustão e vencer os presos pelo cansaço. Esta é a estratégia das secretarias de Segurança Pública e Justiça de Mato Grosso para tentar conter a rebelião no Presídio do Carumbé, iniciada quinta-feira por volta das 15 horas. Das 168 pessoas mantidas como reféns, 139 - sendo 4 agentes carcerários 135 parentes entre mulheres e crianças - ainda estão em poder dos 368 presos em mais de 50 horas de rebelião liderada por dez detentos, entre eles José Carlos Nascimento, o JC, membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Dia 18 de fevereiro, o PCC liderou uma megarebelião em 29 unidades em São Paulo.Uma comissão formada por membros das polícias Civil e Militar, pelo Ministério Público, por juízes e por secretarias de Segurança Pública e Justiça tenta solucionar o impasse. No entanto, as principais reivindicações dos rebelados não devem ser atendidas. Os presos querem a exoneração do diretor Elpídio Onofre Claro. Os detentos o acusam de maus tratos e corrupção. O diretor nega as denúncias.Segundo o secretário de Justiça Hermes de Abreu, os presos não fazem nenhuma exigência específica mas cobram revisão de penas - que já está sendo feita há algum tempo -, atendimento médico, transferência de seis aidéticos para outra unidade prisional e melhorias no prédio. Desde quinta-feira à noite dezenas de parentes dos reféns estão na porta do presídio. A assessoria de comunicação da PM informou que não há nenhum ferido. Os presos estariam armados com revólveres e armas artesanais, contudo, ninguém está machucado. "É uma agonia muito grande saber que meu filho (um detento), minha nora e um bebê de 1 ano estão aí e a gente não pode fazer nada", lamenta a dona de casa Josefa Dias de Araújo, que aguarda a libertação dos reféns."Agora vamos esperar que os presos nos procurem para negociar porque das propostas que eles fazem nem todas devem ser atendidas", disse o deputado estadual Gilney Viana (PT), que esteve no interior do presídio conversando com os rebelados.O jornal O Estado de S. Paulo entrevistou, por telefone celular, um detento que não quis se identificar. Segundo ele, o clima está tenso no presídio. Ele afirmou que os amotinados não aceitam mais negociar sem que suas reivindicações sejam aceitas. O motivo da radicalização, segundo o presidiário, são as informações distorcidas que a Polícia Militar está passando para jornalistas. Ele citou como exemplo a proposta feita pela comissão de rebelados de libertar 25 pessoas em troca de, pelo menos, energia dentro do Carumbé. "Tudo que passam para vocês de informação é mentira", disse o preso.No final da manhã, parentes dos quatro agentes carcerários foram autorizados a visitá-los. A autorização teria sido dada pelos presos rebelados desde quinta-feira. Porém, os familiares não entrarão na área de segurança. A medida teria sido uma prova de que os presos estão dispostos a negociar, no entanto, não abrem mão das reivindicações. Cerca de 50% das pessoas mantidas como reféns no presídio já estão se desentendendo com presidiários. No entanto, alguns parentes apoiam a rebelião. A informação foi passada pela mulher de um preso rebelado libertada no primeiro dia de motim, na quinta-feira. Ela disse que conversou com o marido por telefone celular.

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