Longe dos candidatos, debate sobre papel do Estado avança

Cenário

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Ex-ministros e economistas reuniram-se ontem para discutir, sem a presença de candidatos, um dos temas que deverão estar no centro do debate eleitoral deste ano: o papel do Estado e do mercado como promotores do desenvolvimento econômico. Em evento promovido pela Fecomercio-SP com o mote Será preciso reestatizar para crescer?, os especialistas foram assertivos ao defender um Estado que trabalhe em parceria com o mercado, fomentando a atividade econômica e produzindo o desenvolvimento.

Nem Estado mínimo nem máximo, disseram os especialistas, mas, sim, aquele que induza o crescimento. "O Estado produtor não é eficiente. Estado tem de ser indutor", afirmou o ex-ministro Delfim Netto, que citou o economista Joseph Schumpeter (1883-1950), para quem o desenvolvimento econômico estava baseado na inovação tecnológica e na oferta de crédito.

"O Estado é adiposo e gasta muito na sua manutenção. É antropofágico", completou Delfim, destacando que o problema não é "do Estado, mas do nosso Estado". Destacou, então, o seu papel fomentador da economia e citou como exemplo os Estados Unidos. "Não há lugar no mundo onde o Estado tenha participado mais."

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo disse que a "oposição entre Estado e mercado é uma falsa questão". Defendeu mais investimento público e afirmou que "o Estado está ficando muito balofo e pouco musculoso". A tese também foi endossada pelo ex-ministro Ozires Silva, para quem, pós-crise, "os governos estão presumindo que são competentes para regular toda a sociedade". "Essa presunção me parece sem suporte", afirmou. "Precisamos de uma parceria bastante forte entre Estado e setor produtivo."

Representando o Ipea, ligado ao governo, José Celso Pereira Cardoso foi o mais taxativo na tese de que "há ainda espaço para a reestatização do setor produtivo". Para ele, a estatização não deve ser "restrita ao domínio econômico, mas ampliada à questão civilizatória no geral".

Na eleição de 2006, a discussão sobre o tema sucumbiu à retórica eleitoral. A oposição ficou acuada diante da acusação de ser "privatista". Neste ano, o debate ainda patina. José Serra defende um Estado ativo, que promova o crescimento, mas critica o aumento dos gastos com a máquina. Dilma Rousseff quer um Estado forte e acusa o PSDB de "omissão" na era FHC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.