Lorenzetti e Lacerda pedem desfiliação do PT

Os petistas Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, e Jorge Lorenzetti, ex-analista de Mídia e Risco da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediram sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT).Ambos estão entre os envolvidos no episódio da tentativa de compra do dossiê Vedoin, que tinha por objetivo prejudicar a candidatura de tucanos nas eleições deste ano.Lacerda já encaminhou uma carta ao Diretório Estadual do PT em São Paulo, solicitando sua desfiliação.Um dirigente do partido, que conversou com o ex-assessor de Mercadante pouco antes da entrega do documento, afirmou que ele considerou que a desfiliação seria o melhor caminho para evitar prejuízos à candidatura de Lula à reeleição. "Ele disse que achou melhor se afastar", disse o dirigente.Ricardo BerzoiniA situação do presidente do PT, Ricardo Berzoini, também seria analisada pela reunião da Executiva. Berzoini admitiu a Lula que sabia do encontro entre petistas e a revista Época para tratar do dossiê Vedoin, que associaria a imagem de José Serra, então candidato ao Governo de São Paulo pelo PSDB, à máfia dos sanguessugas. O esquema de compra do dossiê foi conduzido, segundo Lula, por um "bando de aloprados" do partido.Após o envolvimento de seu nome na tentativa de compra, Berzoini foi afastado da coordenação de campanha à reeleição do presidente Lula. Ele foi substituído por Marco Aurélio Garcia, que também é da diretoria do PT.Outros petistas envolvidos também terão seus nomes encaminhados à Comissão de Ética proposta pelo cúpula do partido. Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Valdebran Padilha, Gedimar Passos, Expedito Veloso e Hamilto Lacerda se envolveram na negociação para a compra do dossiê da família Vedoin.A crise que se abateu sobre o partido depois do escândalo é muito grave e a guerra interna assume contornos cada vez mais dramáticos. Berzoini recusava-se a sair da direção e alegava ter a "consciência tranqüila".Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou-o para uma conversa reservada, no Palácio do Planalto. Lula avaliava que precisava encontrar uma solução urgente para o caso, pois não podia passar o segundo turno da campanha à reeleição "sangrando" por causa do dossiê. Planejava chegar ao debate de domingo, na TV Bandeirantes, sem tantos estragos à sua volta.

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