Loteamento clandestino está perto da regularização

Próximo do Parque Estadual da Serra da Cantareira fica um loteamento clandestino prestes a virar bairro regularizado pela Prefeitura, depois de 15 anos. Os primeiros moradores compraram pequenos lotes e depois descobriram que haviam sido enganados. Daí descambou para as invasões. E, em seguida, vieram as constantes ameaças de reintegração de posse. Até que em 1997 eles se organizaram na Associação Amigos do Jardim Paraná, hoje presidida por Antonio Calisto, de 52 anos. Em 2000, decidiram comprar a gleba de 193 mil metros quadrados por R$ 2 milhões, parcelados em 10 anos. "Depois do acordo que fizemos, nenhuma nova invasão foi incentivada", diz Calisto. Água e luz já estão regularizadas, 12 ruas já foram autorizadas e há obras visíveis da Prefeitura no local. Hoje, 8.600 moradores sabem que o direito de moradia não é incompatível com o dever da preservação. Tanto que eles decidiram manter os 50 mil metros quadrados colados ao parque estadual intactos. "Todos os dias ofereço esse terreno para que o governo ou uma ONG transforme num parque. Se não fosse por nós, as casas já teriam invadido a Cantareira." E é exatamente o que está acontecendo no Jardim Nova Esperança. Uma escola da Prefeitura, o CEU da Paz, divide os dois bairros. Em 2005, o então prefeito José Serra visitou o local com o governador Geraldo Alckmin. Nos fundos da escola, viram um terreno já aberto, com lotes demarcados no chão. Alckmin comentou com o colega. "Como é organizado aqui. Devem contar com um engenheiro", ironizou. Hoje, os alunos convivem com as constantes marteladas assentando os barracos de madeira e os blocos de concreto. Tudo em construção. Nas imagens de satélite, a mancha urbana tinge mais um ponto vermelho no que antes era só verde.

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