Luiz Sérgio vira ''ministro por enquanto'' e também está na mira

Ministro das Relações Institucionais é criticado por não conseguir dar soluções aos problemas no Congresso

Tânia Monteiro, Leonencio Nossa e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

O apelido de "ministro por enquanto" atribuído ontem por assessores diretos da presidente Dilma Rousseff a Luiz Sérgio, titular das Relações Institucionais, mostra que o problema da articulação do governo com o Congresso não foi resolvido com a mudança de nomes na cozinha do Palácio e que o deputado petista deverá ser trocado em breve.

Com a queda de Antonio Palocci, a presidente e a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, farão uma dobradinha improvisada na articulação política. A partir de agora, Dilma reservará boa parte da agenda para encontros e conversas com parlamentares. E prometeu ontem, durante almoço com senadores do PTB, que os chamará logo para tratar de demandas por cargos.

É uma solução provisória, segundo assessores da Presidência. A aversão conhecida de Dilma ao varejo político e o perfil mais técnico de Gleisi não servem para reconstruir a relação do Planalto com o Congresso. Por isso, a coordenação política a cargo da dupla Dilma/Gleisi deverá ser breve. A presidente está atrás de um nome de peso que possa exercer a coordenação política, a exemplo do ex-deputado José Múcio Monteiro (PE), que recebia entre 40 e 60 parlamentares por dia.

Rebeldes. A articulação política deu sinais de fraqueza já no início do governo. Nomeações pretendidas por aliados eram barradas na Casa Civil de Palocci, que impedia qualquer ação de Luiz Sérgio. Na votação do Código Florestal, a base se desintegrou sem que o Planalto contivesse os "rebeldes". Luiz Sérgio é criticado por não dar soluções aos problemas.

No entanto, a escolha da senadora Gleisi para o lugar de Palocci não esvaziou a crise e já provoca questionamentos na base aliada na Câmara dos Deputados.

O fato de Gleisi ser esposa do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), sua postura incisiva no Senado e até teses políticas como corte em emendas parlamentares, já provocam reação negativa entre os aliados. Para um líder da base, a escolha cria um desequilíbrio de forças dentro do governo. Além do mais, os dois são ministros de um Estado só, de uma família só.

Surgem já no Congresso questionamentos se a nova ministra terá jogo de cintura para negociar com o Legislativo. "Ela é carne de pescoço", reclama um aliado. "Ela defende a redução de emendas parlamentares", protesta outro. Na semana passada, Gleisi se estranhou com senadores do PMDB durante a votação de medidas provisórias e questionou a atuação do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

A presidente Dilma, ao contrário, avalia que Gleisi é hábil e de iniciativa, que poderá desempenhar o papel de gestora e, ao mesmo tempo, de articuladora. Embora tenha pouca experiência política, a nova ministra é vista por Dilma como uma senadora que conseguiu, em menos de três meses, entender os "caminhos" do Senado. A auxiliares diretos, Dilma ressaltou que, até agora, esteve envolvida em questões técnicas e internas do governo e que pretende, agora, dedicar-se às conversas com parlamentares.

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