Lula acusa governo de SP de travar obra federal

Presidente sugere que atraso em licenças ambientais visa a atrapalhar metas do PAC

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

O presidente Lula acusou ontem o governo de São Paulo por supostos entraves na concessão de licenciamentos ambientais para obras federais no Estado vinculadas à segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Ele se queixou asperamente do sistema adotado "nesse Estado" que, em sua avaliação, barra as autorizações.

A declaração ocorreu durante a inauguração de um conjunto habitacional na cidade de Diadema, onde o PT se mantém no poder desde 1982, quando elegeu seu primeiro prefeito. Lula sugeriu que tal procedimento é intencional, para prejudicar sua administração e o PAC, cuja mãe, segundo ele, é Dilma Rousseff, que o partido escolheu para sua sucessão.

"Não é apenas em Diadema que as licenças não saem", protestou o presidente, que não citou alvos de sua mensagem. "Em vários lugares desse Estado me parece que tem uma pessoa, que eu não sei quem é, que cria dificuldades para dar licença ambiental para a gente fazer as coisas."

Truculência. O presidente fez do evento uma festa para sepultar a antiga favela Naval, com uma história de truculência policial, enchentes, incêndios e doenças que castigaram seus moradores por muito tempo.

Ele conclamou os prefeitos de seu partido a reagirem. "Eu disse para o Reali (Mário Reali, do PT, prefeito de Diadema) que ele deveria ter feito uma crítica à pessoa do Estado que tem que dar a liberação ambiental para fazer as coisas aqui", declarou. "É importante que os prefeitos façam essa briga. Porque a nível federal temos brigado muito para que a gente consiga liberar as coisas com a rapidez necessária."

Ao atribuir à sua própria administração uma economia forte ? segundo ele, 1,4 milhão de postos de trabalho foram criados no primeiro semestre e mais 1 milhão, "se Deus quiser", poderão ser abertos até o fim de seu mandato ?, Lula afirmou: "O que está acontecendo no Brasil já poderia ter acontecido há muito tempo." Foi aí que atacou o governo tucano e apontou atrasos em projetos federais.

Agravou o tom de seu pronunciamento ao apontar para oponente que imagina instalado na gestão do PSDB. "A passagem nossa pela Terra é curta e a gente não pode ficar a vida inteira esperando a vontade de um burocrata que está com a bunda na cadeira, com ar condicionado, sentado, sem se preocupar como é que o povo está vivendo", disse.

Emblemático, lançou ameaças. "Eu sei que a gente é governo, a gente tem que ter diplomacia, a gente tem que ter um linguajar adequado. Mas eu já estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que eu sempre falei nesse País."

Precavido, depois que a Justiça Eleitoral lhe impôs seis multas sob acusação de campanha antecipada, Lula não fez menção à Dilma. Mas fez propaganda de seu governo e recomendou à gente simples de Diadema que vale manter no poder um governo popular. "Mudamos muito, mas ainda falta muito. Não queremos retrocesso nesse País."

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