Lula admite cortar gastos, desde que sejam "supérfluos"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou neste sábado que poderá cortar gastos em um eventual segundo mandato, desde que sejam "supérfluos". Em uma entrevista na porta da Granja do Torto, onde parou para cumprimentar militantes, Lula disse ainda que era "uma coisa despropositada" discutir reajustes de salários dos servidores neste momento, depois do governo ter dado bons aumentos nesses primeiros quatro anos. "Tudo o que for supérfluo você vai ter que cortar", disse o presidente.Lula citou o recadastramento da Previdência Social, que teria ajudado a reduzir em R$ 1 bilhão o déficit, como uma das medidas que podem ser tomadas para reduzir os custos. "Você vai ter que fazer uma investigação em todas as áreas para que se possa diminuir o gasto e aumentar o investimento", explicou.O próprio presidente vinha dizendo que não era necessário cortar custos da máquina pública para incentivar o crescimento do País. Na última sexta-feira, o coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o governo vai cortar sim, mas de forma gradual e afirmou que um dos pontos dessa redução de custos é o fato de não ser mais necessário dar grandes aumentos para os servidores públicos.Tapa e sopro"Eu acho uma coisa despropositada discutir salário de funcionário público agora. Primeiro, porque nós demos um bom reajuste nos últimos quatro anos", afirmou Lula, lembrando ainda os projetos de reestruturação das carreiras. Ao todo, os reajustes vão acrescentar R$ 10 bilhões na folha dos servidores.Ao mesmo tempo, Lula defendeu os servidores. Afirmou que a categoria ganha muito menos do que pessoas da mesma formação no setor privado e que vai negociar sempre que for preciso. "Nós (o seu governo) não temos a cultura, o hábito, de fazer com que os trabalhadores sejam a vítima que foram durante muitos anos", afirmou. "Quando as pessoas dizem ´vamos fazer um choque de gestão, vamos enxugar a máquina´, eu já sei o que vai acontecer. Os trabalhadores saem perdendo".A privatização tucanaMais uma vez, Lula acusou seu adversário, o tucano Geraldo Alckmin, de pretender privatizar mais empresas estatais, mas negou que seja "terrorismo eleitoral", como acusa o tucano. "Eu não estou inventando história, estou constatando o que acontece no Brasil. Eles têm que admitir isso, para o bem deles, para a verdade do partido deles", disse.O presidente, no entanto, afirmou que o PT errou ao criticar a esposa e a filha de Alckmin em um boletim distribuído pela campanha. O texto lembrava a doação de vestidos de grife para Lu Alckmin e o fato da filha do tucano ter trabalhado na Daslu, "uma empresa acusada de contrabando", segundo o texto. "Acho que o PT cometeu um erro de que já foi vítima muitas vezes, e nós não podemos aceitar essa prática política", disse.SábadoO presidente passou a manhã na Granja do Torto e saiu perto do meio-dia para gravar programa eleitorais. Cerca de 100 militantes o esperavam na porta e Lula parou para conversar com eles, tirou fotos, recebeu presidentes.No grupo estava Teodoro Freire, 86 anos, e a esposa Maria, diretores do Bumba-Meu-Boi do Distrito Federal. Eleitor apaixonado de Cristovam Buarque, Teodoro foi chamado pelo PT para falar com o presidente. "No primeiro turno eu não pude votar dele porque o Cristovam era candidato. Mas agora está garantido", disse.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2006 | 13h26

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