Lula admite pôr Forças Armadas nas ruas do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), deve pedir na quarta-feira, 11, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que as Forças Armadas atuem no policiamento das ruas da capital fluminense. O anúncio foi feito após o velório do soldado da PM Guaraci Oliveira da Costa, de 28 anos, que trabalhava na segurança da família do governador e foi baleado na manhã de domingo, 8, em um assalto. Guaraci morreu na segunda-feira, 9, no Hospital Salgado Filho. Apesar de na segunda o ministro da Justiça, Tarso Genro, ter afirmado ser contrário à idéia de se empregar as Forças Armadas no combate à violência no Rio, o presidente Lula afirmou que deve atender o pedido de Cabral. ?Se o Cabral pedir, com o maior carinho vamos trabalhar para atendê-lo?, disse Lula, também na segunda, em São Paulo. Para o ministro da Justiça, "as Forças Armadas são treinadas para outro tipo de missão. Não há adequação para isso", enquanto isso, Lula diz que "tudo o que a gente puder fazer para ajudar os Estados nós vamos fazer. Acho que chegamos num momento em que ninguém deve procurar saber de quem é a culpa. Ou seja, essa criança é de todos nós. Há uma violência e nós temos que cuidar dela.? Ao sair da capela onde o corpo de Guaraci foi velado, Cabral argumentou que "a PM está sobrecarregada e com o contingente aquém do necessário. As pessoas estão em pânico, aterrorizadas. Não vou ficar quatro anos indo a velórios de PMs ou cidadãos vítimas da violência?, disse o governador do Rio. Em janeiro, ele enviou ofício a Lula pedindo que tropas patrulhassem o entorno dos quartéis. ?O presidente havia dado autorização, mas isso não foi posto em prática pelo Waldir Pires (ministro da Defesa).? Desta vez, o governador disse que pedirá não apenas o patrulhamento nas imediações dos quartéis, mas também a presença de soldados em vias expressas e estradas de acesso. As declarações de Cabral surpreenderam integrantes da cúpula da segurança pública do Rio, que chegaram atrasados ao velório do soldado e foram embora antes do enterro, visivelmente constrangidos. Guaraci foi morto com cinco tiros no braço, peito, queixo e barriga, por dois homens que saltaram de uma Kombi, ao parar em um sinal no Engenho de Dentro, zona norte. A TVE exibiu imagens de um cinegrafista amador que mostram o soldado ensangüentado, pedindo socorro pelas ruas. Colaboraram Clarissa Oliveira e Lígia Formenti.

Agencia Estado,

10 Abril 2007 | 07h51

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