Lula afirma que bancos oficiais não davam prioridade aos pobres

Em solenidade no Palácio do Planalto nesta sexta-feira, na qual assinou três decretos desapropriando uma área total de 8 mil hectares na zona da mata pernambucana, antigo complexo da usina Catendeo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os bancos oficiais não davam prioridade aos pobres. Essa declaração foi motivada por um relato do presidente, em que ele destaca uma visita feita à usina - marcada por conflitos no campo - em 1999.Ele destacou que ficou assustado com a megalomania dos proprietários que teriam obtido do Banco do Brasil empréstimo equivalente a R$ 400 milhões, sendo que o patrimônio líquido da propriedade era de apenas R$ 60 milhões. "Como pode alguém conseguir empréstimo do banco do Brasil equivalente a seis vezes o valor do patrimônio, questionou".Durante a solenidade, Lula fez referência ao ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que participou das negociações para a desapropriação da área. O neto de Arraes, candidato favorito no segundo turno na disputa pelo governo de Pernambuco, deputado Eduardo Campos (PSB-PE), participou da solenidade no Palácio do Planalto.Lula nega caráter eleitoreiroComo forma de negar o caráter eleitoreiro da solenidade, Lula disse que queria esperar o fim do processo eleitoral para visitar a usina e anunciar a desapropriação. "Não existe neste mundo de Deus ninguém mais superior a ninguém e nem mais inteligente a ninguém. Agora, os trabalhadores vão começar a sentir o cheirinho da terra deles e ver que valeu a penas enfrentar a política, determinados tipos de políticos e as injúrias", disse o presidente.Lula afirmou que não fez tudo o que pretendia na área da reforma agrária, mas destacou ter feito mais que seus antecessores. Ele argumentou que ao assumir o governo em 2003 encontrou o Incra, órgão responsável pela desapropriação de terra, em situação precária.

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