Lula afirma que ''dor é irreparável''

Em viagem na África, ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve antecipar sua volta para acompanhar as buscas

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou ontem a ida ao almoço de comemoração pela posse do novo mandatário de El Salvador, Maurício Funes, por causa do acidente com o avião da Air France. "Não havia clima, não me sentia bem para ir lá", disse Lula, que está na América Central para um giro diplomático de quatro dias."É uma dor irreparável, muito mais para os parentes", declarou o presidente, após conversar com seu colega francês Nicolas Sarkozy. "Nesse momento, é só solidariedade. Não existe outra coisa a fazer." Lula confirmou o prosseguimento de sua viagem para Guatemala e Costa Rica. O presidente foi informado antes das 6 horas de ontem, horário de El Salvador, três a menos que no Brasil, sobre o desaparecimento do avião. Conversou com o presidente em exercício, José Alencar, e pediu a ele que fosse para o Aeroporto do Galeão, no Rio, em companhia do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, para dar apoio aos parentes das vítimas que aguardavam por notícias. Em seguida, passou grande parte do dia recebendo informações sobre o andamento das buscas e do caso. Embora ressaltasse que como "cristão" ficava "sempre na torcida de que não tenha acontecido o pior", Lula reconheceu que todos os indícios apontavam para a queda do Airbus A330. "Só temos a lamentar", afirmou.Ao comentar que navios e aviões brasileiros auxiliavam nas buscas, Lula falou das dificuldades de realização dos trabalhos à noite. Citou que fora informado de uma "pane elétrica e problemas de pressurização", mas fez questão de destacar a imprecisão das informações que recebera até então. "Estamos tentando encontrar qualquer vestígio", comentou. "Em um avião grande assim, a gente quando entra pensa que não tem mau tempo que vá derrubá-lo", disse.Lula afirmou ainda que "quando um ser humano sofre de doença grave, a gente fica até esperando que a pessoa morra, que é para descansar". E emendou: "Mas quando uma pessoa está viajando a trabalho, ou com a sua família fazendo viagem de turismo, e acontece um acidente desses, acho que é uma dor irreparável para qualquer pessoa. Eu penso como fica uma mãe, uma mulher, um marido que perdeu um ente querido. Então, agora, não existe outra coisa a fazer a não ser prestar solidariedade e pedir a Deus que não aconteça outro."LUTO O presidente Lula disse que é da competência do presidente em exercício, José Alencar, decidir se será declarado luto oficial ou não no País. Mais tarde, quando chegou à Guatemala, Lula foi recebido pelo presidente Alvaro Colón, que respeitou um minuto de silêncio em homenagem aos passageiros do Airbus da Air France desaparecido. Com o gesto, Colón expressou solidariedade ao colega brasileiro.MINISTRO VOLTAEm missão oficial na África, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que voltaria hoje ao País para acompanhar as buscas pelo Airbus. Segundo nota emitida pelo Ministério da Defesa, Jobim cancelou compromissos com autoridades da Namíbia. Pela sua agenda inicial, Jobim ficaria no continente africano até amanhã, pois participaria das comemorações pelo 19º aniversário da Força de Defesa da Namíbia e do comissionamento do Navio-Patrulha Brendan Simbwave à Marinha daquele país.

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