Lula afirma que parte de "elite paulista" odeia o restante do país

Em comício no final da noite de terça-feira, no qual se comparou a Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou uma "pequena parte da elite paulista" de odiar o restante do País, em especial o nordeste.Ao atacar a "elite paulista", Lula mencionou um discurso do vereador Agnaldo Timóteo, que defendeu o presidente. "Eu vi um dos discursos mais extraordinários que uma pessoa pode fazer em defesa do outro, que foi o que o nosso querido Agnaldo fez me defendendo na Câmara e deixando claro o ódio que uma pequena parte da elite paulista tem do restante do Brasil e, sobretudo, do nordeste brasileiro", disse Lula, diante de um público estimado em dez mil pessoas, na Cinelândia, centro do Rio. "O povo paulista é trabalhador, o povo paulista é ordeiro, o povo paulista levanta às quatro da manhã. Mas tem uma pequena elite, que certamente não é aquela que trabalha, que detonou Getúlio Vargas, que detonou João Goulart, que era contra Juscelino e é a elite que não aceita que um nordestino governe este País", afirmou o presidente.Citando a Petrobras, Lula voltou a afirmar que as privatizações são parte do projeto do PSDB. E, sem mencionar o senador Cristovam Buarque, encampou uma das propostas do candidato pedetista, seu adversário no primeiro turno. Lula prometeu criar um piso nacional para o salário dos professores do ensino fundamental.Lula voltou a bater na tecla das privatizações e negou que esteja praticando terrorismo eleitoral. "Aqui tem empresas públicas de qualidade. Vou citar duas: o BNDES e a Petrobras. E os tucanos não digam que a gente faz terrorismo. A história deles no Brasil é uma história predadora", acusou. "Eles só sabem vender, não sabem comprar, não sabem construir. Essa é a verdade, não é invenção minha. Pega o programa deles de 1998, pega o discurso do PFL. Eles parecem aquelas fábricas de demolição, eles não podem ver uma coisa funcionando que eles procurando alguém para vender", afirmou.Lula ainda ironizou o candidato tucano, Geraldo Alckmin. "No debate da TV Bandeirantes vocês viram o adversário dizer ´eu vou vender o avião presidencial´ (falou afinando a voz). Até o avião eles querem privatizar", concluiu, provocando risos na platéia.Com CabralAo lado do candidato do PMDB ao governo do Rio, Sérgio Cabral, que mencionou o tema, Lula fez um discurso voltado também para a Educação. A promessa do piso nacional para os professores foi condicionada à aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. "A hora que o Senado aprovar o Fundeb, nós vamos pela primeira vez criar um piso nacional para as professoras e professores deste País."Lula observou também que, se ele e Cabral forem eleitos, como indicam as pesquisas, será a primeira vez que ele terá um parceiro no governo do Rio. Ao falar sobre os Jogos Pan-Americanos do ano que vem, Lula disse que o governo federal investirá R$ 380 milhões para criar um modelo de segurança pública que permanecerá após o evento e será levado para os demais Estados.Cedo aindaNo fim do comício, o presidente pediu aos militantes que não se entusiasmem excessivamente com as pesquisas de intenções de votos. "Pelo amor de Deus. Ainda temos duas semanas de campanha. Temos é que repetir o que aconteceu aqui hoje."E brincou com a presença do ex-pugilista Acelino Popó Freitas. "No próximo debate, se alguém quiser brigar, eu vou levar o Popó comigo, que é pra poder me ajudar a enfrentar a barra. Ele estará sentado ao meu lado." Também estiveram no comício os governadores eleitos da Bahia e do Sergipe, Jacques Wagner e Marcelo Déda, respectivamente.

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