Lula ainda não decidiu se controle será realizado por civis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não decidiu se vai manter com os militares o controle do tráfego aéreo. Questionado nesta sexta-feira, 22, se pretende desmilitarizar o sistema, respondeu: "Não sei, não sei, não tenho certeza se é o caminho." Somente na segunda quinzena de janeiro, depois do anúncio de medidas voltadas para a retomada do crescimento econômico, é que o Planalto vai se dedicar a definir o futuro do tráfego aéreo.Enquanto isso, o governo estuda, também, a concessão de gratificação para os controladores de vôo. "Há reivindicações que vão ter de ser atendidas", disse Lula, sem especificar que demandas são essas. "O Ministério da Defesa e a Aeronáutica é que estão discutindo o assunto", prosseguiu o presidente, ao assegurar que os controladores não estão criando neste momento nenhum tipo de problema para o sistema de tráfego aéreo. "Eles estão trabalhando direitinho."Lula ficou irritado com a forma como a Aeronáutica conduziu o processo, deixando o caos se instalar no País. Ficou particularmente insatisfeito, com o fato de o Planalto não ter sido informado claramente sobre o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo em que manifestou a insatisfação com o que muitos estão chamando de caixa preta da Aeronáutica, o presidente teme pela completa desmilitarização do setor, que poderia sofrer uma desarrumação ao passar para as mãos de civis. Paralelamente a isso, Lula já confidenciou a auxiliares que não quer abrir uma frente de confronto direto com os militares. O presidente teme, também, que passando o controle do tráfego para os civis, que o setor possa sofrer com greves, o que seria caótico.A Aeronáutica já se posicionou formalmente contra saída do controle do tráfego aéreo do seu comando. Assegura que precisa apenas de mais recursos para garantir melhores condições de funcionamento. O Grupo de Trabalho Interministerial, que concluiu seu trabalho na semana passada, no entanto, foi favorável à desmilitarização do setor, embora o trabalho tenha sido encaminhado ao planalto com uma enorme ressalva da Aeronáutica, condenando qualquer tipo de mudança. Na balança desta discussão pesará o fato de o governo estar sofrendo com a criação da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, que absorveu várias áreas do antigo DAC-Departamento de Aviação Civil, da Aeronáutica, ainda está engatinhando e não tem conseguido cumprir o seu papel fiscalizador. Neste último episódio, que a TAM aparece como principal responsável pela crise das últimas 48 horas, há no governo informações de que foi a própria ANAC tem grande parcela de responsabilidade nesta crise. O motivo seria que ela repassou para a TAM muitas das linhas que eram da Varig e a TAM. Só que a TAM pegou estas linhas para operar, sem ter capacidade para fazê-lo e a ANAC não viu isso. Agora, faltam aviões para cumprir a malha recebida, além do fato de que a companhia aérea teria vendido muito mais bilhetes do que assentos disponíveis. São PauloNa entrevista de ontem à imprensa, o presidente Lula insistiu na necessidade de São Paulo possuir um sistema alternativo de controle de vôo. "São Paulo tem o aeroporto mais importante do Brasil. Lá tem de ter um controle próprio, que está sendo montado. Um equipamento deste não pode ser montado em dois dias", comentou o presidente, que preferiu não atacar a Aeronáutica pelos problemas nos aeroportos. Questionado se havia faltado planejamento da FAB por não ter controladores e equipamentos sobressalentes, o presidente desconversou: "não sei o que faltou". Mas assegurou: "nós vamos fazer o que for possível para melhorar".

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