Lula alfineta oposição e vê preconceito contra Dilma

Em cadeia de rádio e TV, presidente disse ser preciso 'qualificar' o debate e, ao mesmo tempo, adotou tom eleitoreiro com frases típicas de palanque

Leonencio Nossa, Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2010 | 00h00

Em seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e TV após as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso "qualificar" o debate político. Ao mesmo tempo, ele usou o discurso para soltar frases típicas de palanque, alfinetar a oposição e reclamar de preconceito contra a presidente eleita Dilma Rousseff.

"Passadas as eleições, quando é compreensível que o calor da disputa gere confrontos mais duros, é importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas opiniões, respeitem-se mutuamente e divirjam de forma madura e civilizada", afirmou.

Em tom eleitoreiro, disse que o ato de transmissão da faixa presidencial para a "companheira", no dia 1.º de janeiro, terá "imenso simbolismo" e que "ninguém é melhor do que ninguém".

"Somos um País com instituições consolidadas, capazes de absorver mudanças e progressos", afirmou. "Simbolicamente, estaremos proclamando que ninguém é melhor do que ninguém. Não importam as diferenças de origem social, de sexo, de sotaque ou de fortuna." Acrescentou: "Somos todos brasileiros, e todos devem ter oportunidades iguais, o direito a sonhar com dias melhores e o apoio para melhorar sua vida e a de sua família."

O presidente dirigiu-se aos adversários, dizendo que agora cabe a "todos" respeitarem a "vontade" do povo. "Os escolhidos para governar devem ter a liberdade para organizar suas equipes e colocar em prática suas propostas, de modo a honrar os compromissos assumidos com a sociedade", disse. "Já aqueles a quem o povo colocou na oposição devem ter a liberdade de criticar e apontar os erros dos governantes, para que possam em eleições futuras se constituir como alternativa."

Ele destacou ainda o bom momento econômico. "Como todos sabemos, o Brasil vive hoje um momento mágico, de crescimento econômico, inclusão social, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução das desigualdades regionais."

Também disse estar "convencido de que, nos próximos anos, o Brasil poderá consolidar-se como uma terra de oportunidades e de prosperidade", transformando-se numa nação desenvolvida. "Avançaremos mais rapidamente nessa direção, se soubermos qualificar o debate político."

No pronunciamento, Lula disse que as eleições transcorreram num ambiente de tranquilidade, entendimento, paixão e entusiasmo: "Estamos todos de parabéns." Ainda parabenizou a Justiça Eleitoral que, segundo ele, dirigiu com equilíbrio e competência a disputa, "sob o signo da liberdade".

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