Lula apoia aumento salarial para presidente e parlamentares

Governistas e oposição defendem o reajuste e dizem que não pode ter diferença tão grande entre os três Poderes

Tânia Monteiro ENVIADA ESPECIAL/MAPUTO, Denise Madueño, Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que o Congresso aprove um reajuste de salário para os parlamentares e para a presidente eleita, Dilma Rousseff. Lula defendeu o aumento durante entrevista em Maputo, Moçambique, e disse que, em 2002, ele só não teve aumento porque o Congresso fez "uma sacanagem". Os líderes do Congresso confirmam que estão negociando o reajuste, mas ainda não há uma definição do porcentual.

"Que vai ter reajuste, vai. Ou nesta legislatura ou na próxima", afirmou ontem o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). A oposição defende a negociação em favor do reajuste e diz que não pode haver uma diferença salarial tão grande entre os três Poderes.

Hoje, o presidente ganha R$ 11.420,21brutos - o líquido fica em torno de R$ 8 mil. É o menor salário entre os chefes dos três Poderes: o Congresso paga R$ 16.512 mil aos parlamentares - são 15 salários por ano -, e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganham R$ 26.723.

Apesar de dizer que foi "sacaneado" pelo Congresso, em 2002, porque os parlamentares reajustaram seus salários e o deixaram de fora, Lula acabou se contradizendo, ao dizer ontem após o jantar em Maputo. que preferiu não receber nenhum aumento para se preservar politicamente de eventuais críticas.

No Congresso. "Esse assunto não entrou na pauta. Mas há três anos que os salários dos parlamentares não são corrigidos. Não há prioridade para isso", disse o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Ele e Vaccarezza são pré-candidatos à presidência da Câmara. Em 2007, os parlamentares reajustaram seus salários em 28,5%, que repunha a inflação acumulada de quatro anos.

Para evitar críticas e conseguir aumento real, os deputados defendem o corte em parte de seus benefícios, como as verbas para pagamento de pessoal, gastos com passagens aéreas e com telefone. Poderiam, assim. equiparar seus salários ao de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje ganha R$ 26.723,13 por mês. Seria, no caso, um aumento de 61,83%.

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