Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Lula articula base pró-Palocci em Brasília

Ex-presidente volta à cena e comanda ação para manter ministro no cargo, janta com Dilma e marca encontro com líderes aliados no Congresso

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

No auge da crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, na prática, a articulação política do governo Dilma Rousseff. Lula almoçou ontem com senadores do PT, jantou com Dilma e Palocci, no Palácio da Alvorada, deu voz de comando para a defesa do ministro e hoje tomará café da manhã, na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com os líderes da base aliada no Congresso.

"Estão testando o governo da Dilma. Quiseram me intrigar com ela e não conseguiram. Agora, se o governo entregar a cabeça do Palocci, vai cometer um grande erro. Não dá para pôr o Pelé no banco", disse Lula, segundo relato de três senadores que participaram do almoço com o ex-presidente, na casa de Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Preocupado com o prolongamento da crise, Lula traçou ali a estratégia da reação, mas ouviu queixas sobre a falta de articulação política do Palácio do Planalto. Os petistas disseram a ele que, com Palocci alvejado por denúncias de multiplicação do patrimônio e suspeita de tráfico de influência, a situação só piorou. Insatisfeitos, eles reclamaram não apenas da lentidão para a montagem do segundo escalão como da ausência de diálogo e de argumentos para defender Palocci e o governo.

Lula mostrou-se disposto a preencher o vácuo político, mas longe dos holofotes, nos bastidores. Disse que conversaria com Dilma, Palocci e com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. "Essa queixa é justa e vamos melhorar o diálogo", afirmou o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Com o argumento oficial de que vai tratar da empacada reforma política, Lula também pedirá empenho a Sarney e aos líderes da base aliada, hoje, para evitar constrangimentos ao Planalto no Congresso.

"A posição do Lula é semelhante à nossa: até o momento não há acusação frontal que vá abalar nossa confiança em Palocci. Além disso, ele enviará os esclarecimentos ao Ministério Público", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), referindo-se ao pedido feito pela Procuradoria-Geral da República para que Palocci explique as denúncias que pesam contra ele.

De factoide a monstro. Na tentativa de obter mais subsídios para reforçar a blindagem a Palocci, a bancada do PT no Senado convidou o ministro para uma conversa, a portas fechadas. "Precisamos tratar da crise no nascedouro, antes que o factoide vire um monstro", resumiu Wellington Dias (PT-PI).

No almoço com 12 dos 14 senadores do PT, Lula disse que aconselhará Dilma a deixar o gabinete e se expor mais. "O papel de um presidente é dialogar, animar, induzir a sociedade", insistiu. Ele lembrou a crise enfrentada no primeiro mandato de seu governo - que começou com o caso Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil acusado de cobrar propina de um bicheiro, em 2004, e ganhou força com o mensalão, no ano seguinte. "Enfrentei um ano e meio de crise e sei do que estou falando. Vocês têm de ter em mente o seguinte: na dúvida, defendam o companheiro", argumentou Lula.

Na conversa, tendo como prato principal peixe ao molho de maracujá, Lula deu tapinhas nas costas dos petistas e os animou a apoiar Palocci. Disse que a oposição não está apenas no Congresso, mas também na imprensa. Depois do almoço, muitos parlamentares seguiram para o Senado e, da tribuna, elogiaram o ministro da Casa Civil.

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