Lula assume papel de fiscal de 'sua presidenta'

Presidente diz que vai seguir viajando pelo País e quer ganhar as eleições para 'cuidar do povo'

Leonêncio Nossa, Angela Lacerda ENVIADOS ESPECIAIS SALGUEIRO e PETROLINA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

A menos de cinco meses de deixar o poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ele e os demais nordestinos querem continuar governando o País. Também afirmou que, após terminar seu mandato, vai continuar viajando pelo sertão brasileiro e por todo o País para ver o que fez e o que deixou de fazer. "E, se tiver alguma coisa errada, vou pegar o telefone e ligar para minha presidenta (referindo-se à sua candidata Dilma Rousseff) e dizer "olha tem uma coisa errada aqui, pode fazer minha filha porque eu não consegui fazer"", declarou Lula em Petrolina, no sertão do São Francisco.

Em Salgueiro, no semiárido pernambucano, ele reforçou o discurso. "O Obama disse que nós podemos. Eu digo para vocês: nós não apenas podemos, como gostamos, como queremos continuar governando este país para melhorar o Nordeste e o Brasil", afirmou, durante discurso de improviso em canteiro de obras da Ferrovia Transnordestina.

Sem citar Dilma, Lula disse que quer ganhar as eleições. "Eu quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo, como a mãe cuida do seu filho", afirmou. "O Estado não é para servir os ricos, mas para ajudar os pobres."

O presidente voltou a criticar a ação do Ministério Público, a morosidade nos processos de licenciamento ambiental e atuação da Justiça pela demora de obras como a Transnordestina. "É um verdadeiro inferno concluir um projeto dessa magnitude", enfatizou.

O cronograma das obras da Transnordestina está atrasado. Inicialmente, o governo chegou a avaliar que iria inaugurar a ferrovia até dezembro deste ano. Hoje, porém, apenas 30% das obras de terraplenagem estão concluídas. Técnicos do Ministério dos Transportes avaliam que antes de 2012 a ferrovia que liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Suape, no Recife, não estará concluída.

"No Brasil é assim", criticou, em Petrolina. "Criamos uma máquina de fiscalização poderosa e uma máquina de execução fragilizada." Lembrou que as obras do metrô de Fortaleza foram paralisadas por denúncia de sobrepreço.

"A gente pensa que os funcionários que não liberam as coisas são ruins, mas não são, eles são seres humanos e têm medo", argumentou. "Se liberarem alguma coisa para fazer e o Ministério Público entender que está errado e processar, eles têm os bens disponibilizados e têm de contratar advogado para se defender."

Reforma. Em Petrolina, Lula disse ainda que depois de deixar a Presidência vai virar "uma casca de ferida" para fazer a reforma política. "Quero contribuir", disse. "Vamos fazer reforma política neste país."

"Quem pensa que vou deixar a Presidência e vou para Paris, para Harvard e não sei para onde, não", disse, ressaltando que também pretende se empenhar pela aprovação de um marco regulatório do meio ambiente no próximo governo. "Não pode continuar a dificuldade que está", observou, ao enumerar os obstáculos para realizar obras e, de forma indireta, justificar o atraso da Ferrovia Transnordestina.

Pequenez

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

"Hoje posso falar com conhecimento de causa de quem presidiu oito anos que a pequenez política de um adversário que está no Senado ou na Câmara é tão grande que muitas vezes uma cidade ou Estado deixa de receber recursos porque ficam na briga pequena, sórdida e não permite que o Brasil se desenvolva"

"O povo começou a pensar com sua própria consciência, começou a escolher com sua maturidade política"

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