Lula ataca ''falsos democratas'' da imprensa

Na conferência de cultura, criticou editoriais de jornais para uma plateia que defende o controle social da mídia

João Domingos e Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Com críticas à imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem na abertura da 2ª Conferência Nacional de Cultura que os editoriais publicados pelos jornais brasileiros mostram que seus autores são "falsos democratas", que acham que são a "única voz pensante no mundo". "Se vocês são como eu, que não gosto de ler notícia ruim, comecem a prestar atenção no noticiário, leiam os editoriais, para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas. Façam isso, porque isso também é cultura."

Segundo Lula, os editoriais publicados hoje pelos meios de comunicação repetem os de 1953, quando teve início a campanha "O petróleo é nosso". "Não há diferença. Diziam que o Brasil não deveria fazer a campanha, porque aqui não havia petróleo". Para ele, os meios de comunicação traduzem "a pequenez do pensamento daqueles que acham que o Brasil só tem cidadãos de segunda classe".

A abertura da conferência - a 67ª feita durante os dois mandatos de Lula - serviu de palanque para a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à Presidente pelo PT. A ministra fez um discurso que não empolgou.

Já Lula sabia para quem estava falando - uma plateia formada por defensores do controle social da mídia e de combate ao monopólio dos meios de comunicação eletrônicos. Ele lembrou que recentemente havia sido feita, em Brasília, a 1ª Conferência de Comunicação, que pregou o controle social da mídia. "Tem gente que morre de medo dessas conferências. Atacam elas, criam polêmicas. Mas erram o alvo porque eu não tenho medo de polêmicas. Sou o resultado da polêmica. Existo por isso", afirmou.

Lula disse que o ministro da Comunicação de Governo, Franklin Martins, "tem sofrido ataques" por ter reduzido a publicidade paga aos meios de comunicação e estabelecido que que será pago o que cada um vale e não o que pensa que vale.

O presidente fez ainda uma comparação entre o filme Avatar, de James Cameron, que custou U$ 400 milhões, e Lula, o filho do Brasil. "O Luiz Carlos Barreto (produtor do filme) teve que pedir desculpas antes mesmo de começar o filme, teve de dizer que não tinha dinheiro público ali." Por fim, Lula criticou a programação das TVs a cabo e disse que é preciso incentivar produções regionais.

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