Lula ataca procuradora no comício de Dilma

Chuva reduziu público do evento do Rio; presidente também pediu votos para o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição

Marcelo Auler / Rio, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

No primeiro comício de Dilma Rousseff no Rio, o presidente Lula reagiu ontem à disposição da vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cuerau, de pedir abertura de ação no TSE por uso da máquina em favor da petista. "Há uma premeditação de me tirarem da campanha política para não permitir que eu ajude a companheira Dilma a ser a presidenta deste país."

Dirigindo-se a um público que ficou bastante reduzido por causa das fortes chuvas que caíram no início da noite na Cinelândia, no centro do Rio, o presidente queixou-se indiretamente de Sandra, sem citar seu nome. "Na verdade, o que eles querem é me inibir, para fingir que não conheço a Dilma. É como se eu pudesse passar perto dela, ter uma procuradora qualquer aí, e eu passar de costas viradas e fingir que não a conheço. Mas eu não sou homem de duas caras. Passo perto dela e digo para vocês: é a minha companheira Dilma, que foi chefe da Casa Civil, e está preparada para a Presidência da República deste país."

No ato em que ele também pediu voto para o governador Sérgio Cabral, do PMDB, Lula lembrou as obras de urbanização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em diversas comunidades cariocas. Com a reeleição de Cabral, ele disse querer ver obras "em cada favela do Rio de Janeiro para não chamar mais de favela, chamar de bairro". E atacou: "Acabar com a safadeza que a elite política brasileira construiu ao longo de 500 anos segregando o povo pobre deste país em condições desfavoráveis".

Dilma, em seu discurso quis fazer um paralelo entre o comício de ontem e a campanha das diretas já: "Aqui nesta praça, no dia 10 de abril de 1984, houve a grande manifestação das diretas já, que transformou este país de uma ditadura em uma democracia", afirmou. Na verdade o comício das diretas foi no dia 18 de abril e não na Cinelândia, mas junto à Igreja da Candelária.

As centenas de placas e milhares de bandeiras espalhadas ao redor da Igreja da Candelária, no centro do Rio, eram a mostra de que foi pequena a mobilização para a primeira caminhada e comício da candidata do PT à Presidência. Cerca de 6 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, encararam a chuva fina que caía sobre a cidade para prestigiar o evento. A petista chegou 45 minutos depois do horário previsto e percorreu apenas metade do trajeto esperado, entre a Candelária e a Cinelândia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.