Lula ataca proposta de redução da maioridade penal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta sexta-feira propostas de redução da maioridade penal em reação a movimentos na sociedade e no Congresso que buscam a punição para menores de 18 anos. Estas manifestações começaram após a morte do João Hélio, que morreu arrastado por um carro roubado. Um menor e outros jovens participaram do crime. O presidente afirmou que o Estado não pode tomar decisões com base em reações emocionais e deve utilizar a razão. Lula apontou o Estado brasileiro e os 190 milhões de habitantes como co-responsáveis pela falta de oportunidades que parte da juventude enfrenta. "Fico imaginando que se aceitarmos a diminuição da idade para 16 anos depois será 15, depois 10 e, quem sabe, algum dia, queiram até punir o feto se souberem o que vai acontecer no futuro." O presidente participou da inauguração de uma unidade da empresa de call-center Atento, que promete gerar 6 mil vagas de trabalho com carteira registrada, principalmente para jovens que buscam o primeiro emprego. A empresa pertence ao Grupo Telefônica, que prometeu investir 15 bilhões de reais nos próximos quatro anos. Lula manifestou "inquietude e angústia" com o que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, com o assalto que acabou na morte violenta do menino de 6 anos. "Vi muita gente querer vingança a curto prazo e eu dizia que o Estado não pode reagir emocionalmente. O Estado precisa agir com as razões para que possamos criar mecanismos para evitar que isso aconteça, ao mesmo tempo em que a gente puna exemplarmente", afirmou. Para o presidente, tratou-se de um "ato da maior barbaridade", mas ele argumentou que nos últimos 25 anos o Brasil não forneceu as oportunidades para a última geração. "Todos nós, direta ou indiretamente, temos um ´quezinho´ de responsabilidade pelo Brasil não ter dado no tempo certo o que poderia ter dado. Não conseguimos alfabetizar no tempo certo, não conseguimos fazer a reforma agrária no tempo certo." Ao discursar para 200 a 300 funcionários contratados para a nova unidade, a maioria entre 18 e 24 anos e em seu primeiro emprego, Lula disse que estava ali para ver o outro lado do Brasil, dos jovens que estão tendo oportunidades. O presidente informou que o ministério da Educação discute projeto que converteria dívidas de universidades privadas em bolsas de estudo para os jovens. Lula prometeu cobrar das universidades: "Nos entreguem de volta um doutor", disse, muito aplaudido pela platéia de jovens.

Agencia Estado,

16 Fevereiro 2007 | 21h16

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