Lula avisa que 'ninguém tem vaga garantida'

Diante do assédio dos ministros que tentam um lugar no próximo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou ontem à sua equipe que "ninguém tem vaga garantida". Em encontro com líderes aliados e 36 ministros no Palácio do Planalto, ele recomendou aos subordinados que entreguem seus cargos até 31 de dezembro para deixar a presidente eleita Dilma Rousseff à vontade para escolher a composição do novo governo.

Tânia Monteiro , Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2010 | 00h00

"Não sei se vocês sabem que todos terão de me entregar o cargo, pois precisamos deixar esta mesa limpa para que ela (Dilma) possa tomar a decisão que quiser", disse, orientando os ministros que repassassem a diretores e presidentes de estatais e autarquias o recado para não tirar férias durante a transição.

Segundo relato do líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), que participou do encontro, Lula teme que muitos usem artifícios como o afastamento provisório para se manter no cargo, provocando uma situação embaraçosa para Dilma.

Como é tradição em épocas de mudança de governo, a guerra por cargos comissionados e comandos de empresas públicas agita corredores e gabinetes do Planalto. O presidente, segundo Albuquerque, disse que, mesmo sendo um governo de continuidade, é importante que todos os ministros preparem uma prestação de contas com o máximo de informação possível para ser entregue à equipe de Dilma.

No encontro, Lula voltou a dizer que não fará indicações para Dilma. Embora tenha deixado claro que não pretende sugerir ou vetar nomes, ele deixou escapar que poderá abrir exceções.

O presidente aproveitou para elogiar o processo de transição feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na mudança do governo tucano para o petista. "Isso foi muito importante", disse Lula, segundo o deputado, ao comentar que a transição que viveu de FHC para seu governo é que lhe deu a ideia de fazer a transição no atual formato.

As realizações dos oito anos de governo serão registradas em cartório. Aos ministros, Lula pediu que mencionem problemas que existam nas Pastas, gargalos ou dificuldades para que isso fique transparente aos novos ocupantes dos cargos.

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