Lula, Berzoini e Bastos apresentam defesa no TSE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, encaminharam no final de semana suas defesas sobre a investigação aberta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar o suposto envolvimento de cada um no esquema do dossiê Vedoin. Os três pedem o arquivamento do caso e dizem que não tem nada a ver com a história. "Não tem o representado nada, absolutamente nada com o ocorrido", sustentam os advogados de Lula.Em uma defesa longa, de 35 páginas, três dos advogados do presidente alegam uma série de motivos para que a investigação seja suspensa, desde aspectos formais até factuais. A respeito dos formais, eles dizem que a notificação não foi acompanhada de documentos e que a coligação adversária, Por um Brasil Decente, que apóia a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, baseou-se apenas em notícias veiculadas pela imprensa e não em provas ou indícios.A defesa de Lula também sustentou que a divulgação de um dossiê contrário a Serra, eleito governador de São Paulo, não teria repercussões na disputa presidencial e não traria benefícios para a campanha de Lula. Os advogados ressaltaram ainda que, conforme as pesquisas eleitorais, o presidente tinha chances de ser eleito no primeiro turno. "É fato público e notório que o ora representado (Lula) se encontrava no momento dos fatos em situação extremamente privilegiada nas pesquisas de intenção de voto", afirmou a defesa. Os advogados afirmam que Lula não seria beneficiado pela divulgação do material sobre José Serra. "Quando se verificaram os fatos alegados na inicial, de apreensão de materiais e prisão de pessoas, contava o candidato representado, a duas semanas da realização do primeiro turno das eleições, com nada menos do que 50% das intenções de voto, possuindo reais condições de se ter por vitorioso já no primeiro turno", afirmaram os advogados. "Não seria interessante e nem necessário ao candidato representado utilizar-se de qualquer expediente relativo a atingir a honra de alguém", acrescentaram.A defesa de Lula afirmou que se alguém se beneficiou com a divulgação da história foi o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Após a presente ação de investigação judicial, em que maliciosamente e temerariamente se aponta o representado como beneficiário do fato, o que ocorreu é que o candidato da coligação representante, que não estava com mais de 28% das intenções de voto quando veio à tona os fatos ora narrados e, após, aumentou de 28% para 33%", ressaltaram. "Se houve benefício concreto com os fatos ora narrados, este benefício adveio do candidato da representante", observaram.Os advogados do presidente disseram que Lula não se envolveria numa situação como essa para colocar em risco sua reeleição, praticamente garantida no primeiro turno por todos os institutos de pesquisa quando ocorreram os fatos. A defesa acrescentou que esta é a quinta vez que Lula disputa a Presidência da República e que ele nunca utilizou expedientes contrários à ética em eleições. Os advogados citaram ainda avaliação segundo a qual a imprensa deu grande espaço para notícias desfavoráveis a Lula. Márcio Thomaz Bastos e Ricardo Berzoini também encaminharam suas defesas ao TSE. Da mesma forma que Lula, eles disseram que não tem nenhuma relação com o dossiê. Berzoini afirmou que os fatos imputados a ele são "absolutamente inverídicos". "Não emanou dele nenhuma ordem ou comando e não teve ele participação, sequer indireta, com os fatos mal narrados pela peça acusatória", afirmou a defesa do presidente do PT.Thomaz Bastos disse que não teve qualquer ingerência, direta ou indireta, sobre as investigações, ações, operações e inquéritos policiais conduzidos pela Polícia Federal para apurar o escândalo do dossiê. "Não houve a mais vaga influência sobre as atividades policiais, postura, aliás, que tem sido marca incontestável da atual gestão do ministro da Justiça", concluiu a defesa de Thomaz Bastos.

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