Lula: 'Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora?'

Durante comício em Guarulhos, presidente assume a linha de frente da reação petista às revelações de violação de dados fiscais e acusa de Serra de baixar o nível da campanha

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

O PT colocou o presidente Lula na linha de frente para responder aos ataques do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que responsabiliza Dilma Rousseff pela violação de sigilos fiscais de sua filha, Verônica, e outras pessoas ligadas a tucanos. Ontem Lula afirmou que Serra faz um "jogo rasteiro" ao "colocar a família como vítima".

Apesar de a própria Receita Federal ter confirmado a violação dos sigilos em 2009 e de a Polícia Federal estar apurando o caso, o presidente Lula, ao discursar em comício em Guarulhos, minimizou a gravidade do episódio ao supor que os dados fiscais não foram divulgados. "Ninguém precisa baixar o nível da campanha, ninguém precisa tentar transformar a família em vítima. Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê? Cadê os vazamentos ?", indagou Lula.

O objetivo do PT é desmontar a tese de que foi feito um dossiê contra Serra. Enquanto Lula vai para o confronto direto com o tucano, o PT poupa Dilma e evitará a exposição da candidata nos próximos dias. Apesar de a coordenação de campanha ter confirmado na sexta-feira a presença dela no comício, Dilma não compareceu ao evento ontem. A mestre-de-cerimônias, Lula e outros petistas explicaram que Dilma teve que acompanhar a filha Paula a um exame pré-natal.

Na série de críticas a Serra, Lula afirmou que enquanto, de um lado, a campanha de Dilma segue tranquila na televisão, do outro lado "temos um adversário que o bicho anda com uma raiva eu não sei de quem". E continuou: "O programa está pesado, rasteiro. É próprio de quem não sabe nadar, cair na água, e ficar se batendo até morrer afogado", afirmou o presidente.

O presidente acusou ainda os adversários de mentirem "descaradamente" e disse que quando começam a responsabilizar alguém pelo próprio fracasso é sinal de que "a coisa não vai bem". "Mentira tem perna curta."

O comício de ontem revelou uma clara mudança de tom dos petistas, que até a semana passada davam como certa a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Ontem, Lula voltou a pedir abertamente o voto em Dilma. "Queria dizer ao povo de São Paulo que gosta das coisas que o governo fez, ao povo de São Paulo que vota em mim, que vota no amigo Mercadante, que votem na companheira Dilma para a Presidência da República porque aí sim o nosso adversário vai ficar muito nervoso se ele tomar uma surra da Dilma aqui no Estado de São Paulo", afirmou Lula.

A candidata do PT ao Senado, Marta Suplicy, foi a única, além de Lula, a enfatizar o tom agressivo do programa de Serra. Ela que escancarou a estratégia do PT de blindar Dilma: "Quem está na frente tem que estar blindado."

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