Lula cita exemplo de Allende para defender 2º turno

No breve discurso que fez no Palácio da Alvorada para pedir apoio aos políticos do Rio de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a existência do segundo turno explicando que facilita a governabilidade. "Todo mundo sabe que eu fui um dos batalhadores para que a gente tivesse dois turnos no Brasil", afirmou o presidente explicando que teve como base a experiência chilena. "Eu achava e me espelhava muito no que aconteceu no Chile com Allende". Salvador Allende foi eleito presidente do Chile em 1970 com um terço dos votos e assassinado em 1973, durante a tentativa de golpe militar. Lula completou: "Eu achava que alguém ser eleito presidente da República com 33% dos votos teria muito mais dificuldade de construir uma hegemonia para governar do que se fosse eleito num segundo teste em que a população pudesse, por sua maioria, se manifestar".Pouco depois, coube ao ex-ministro e deputado eleito pelo PSB do Ceará, Ciro Gomes, explicar a defesa de Lula pelo segundo turno. Segundo ele, a preocupação de Lula era com o fato de uma pessoa com maioria relativa não ter sustentação para governar."Ele (Lula) defendeu foi o instituto do segundo turno. Não foi o segundo turno nesta eleição. Nesta eleição eu acho que o segundo turno foi ruim, mas foi bom. Foi ruim porque estou cansado. Mas foi bom porque tirou um pouco do salto alto e acho que esta lição de humildade foi importante porque pudemos ver onde nós mesmos, por imprudência, falhamos para defender este país", explicou.Questionado se o risco de instabilidade poderia ser real se não houvesse segundo turno, Ciro Gomes ressaltou que o presidente queria dizer que os dois turnos impedem que pessoa eleita com maioria relativa pudesse ter crise de sustentabilidade."O povo brasileiro que é nosso juiz definitivo e superior, preferiu assim (decisão no segundo turno). O povo queria esticar o debate, entender um pouco melhor as coisas e dar uma lição de humildade a nós e essa parte eu peguei". Na entrevista, o ministro classificou também de politicagem a divulgação das fotos do dinheiro que seria utilizado no pagamento do dossiê Vedoin e que foi apreendido pela Polícia Federal.

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