Lula cobra nomes de consenso entre aliados

Ex-presidente pede esforço de políticos e diz que só vai ajudar campanhas nas cidades onde não houver enfrentamento dentro dos partidos da base de Dilma

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

Em almoço com políticos fluminenses no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Sérgio Cabral (PMDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem que os partidos aliados façam um esforço para se manter unidos nas eleições municipais de 2012. "Quanto mais vocês estiverem juntos, mais eu vou viajar", brincou Lula, segundo relato do deputado Miro Teixeira (PDT).

Ao mesmo tempo que se mostrou disponível para percorrer o País em campanha para os aliados, Lula disse que vai ficar distante das cidades em que partidos da base se enfrentarem. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, repetiu as palavras de Lula no almoço: "Se vocês se dividirem, eu não vou meter minha mão nessa cumbuca".

O encontro com parlamentares, ministros e secretários estaduais e municipais durou pouco mais de duas horas. Embora esteja na base do governo Dilma Rousseff, o PR faz oposição a Cabral. No almoço, estiveram representantes do PT, do PMDB, do PDT, do PSB, do PC do B, do PSC e do PRB.

Segundo Miro, Lula não fez referência a casos específicos de corrupção, mas disse que as denúncias têm de ser apuradas e, garantido o direito de defesa, quem tem culpa tem de ser punido.

Economia. O ex-presidente fez uma longa análise do cenário internacional e disse acreditar que, como em 2008, o Brasil passará pelas turbulências sem muitos danos. Lula reiterou a importância de medidas como investimentos internos em programas como o PAC e oferta de crédito.

Segundo políticos presentes, o ex-presidente criticou os países europeus pela demora no socorro à Grécia e disse que as nações em crise erraram ao não investir em medidas que beneficiassem as camadas mais pobres.

Miro disse que Lula lembrou os ataques da oposição a Cabral, há um mês, quando um acidente de helicóptero no sul da Bahia expôs a proximidade dele com o empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, que tem contratos com o governo do Estado. No acidente morreram sete pessoas, entre elas a namorada de um dos filhos do governador. Segundo o deputado, Lula disse que a oposição enfrenta "dificuldades" e parte para o ataque quando percebe que "não tem argumentos".

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