Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Lula cobra nova estratégia para campanha em SP

Mercadante foi escalado pela direção estadual para conversar com PV; senador afirmou que vai procurar Marina Silva

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Às 7h30 de ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntava ao candidato derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante, por telefone, quais seriam as estratégias no Estado para conquistar mais votos para Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da corrida presidencial. Lula cobrou empenho e articulação do partido no Estado.

José Serra (PSDB) teve em São Paulo 783.101 votos a mais que Dilma Rousseff. Os petistas chegaram a comemorar há algumas semanas antes do pleito a possibilidade de abrir uma vantagem de 2,5 milhões de votos sobre Serra em São Paulo. O resultado ficou muito aquém das projeções animadoras do partido.

Mercadante foi escalado pela direção do PT estadual para ser o interlocutor de Dilma Rousseff com as lideranças de partidos que estão fora do arco de alianças no Estado.

"Vamos conversar com as principais lideranças do PV, de São Paulo e do Brasil inteiro, da bancada federal, estadual. Vamos dialogar com eles. Vou procurar conversar também com a Marina pessoalmente, pela relação que tenho com ela", afirmou Mercadante. O petista ressaltou ter muito "carinho" por Marina.

O principal desafio petista é identificar o perfil dos 4.865.828 de eleitores que optaram pela presidenciável Marina Silva (PV) no Estado. Dirigentes da sigla acreditam que mesmo se o PV declarar apoio a Serra, os eleitores poderão ter um perfil de mais identidade com uma candidatura de centro-esquerda, o que ajudaria Dilma Rousseff.

Mercadante recebeu a atribuição de conversar com Fabio Feldmann (PV), Paulo Skaf (PSB) e Celso Russomanno (PP), todos derrotados por Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, para tentar integrá-los à campanha no segundo turno. Skaf e Russomanno já apoiam Dilma. Já o PV, em São Paulo, tem ligações políticas mais próximas com o PSDB.

Ao se propor a procurar a presidenciável verde, responsável pela hecatombe que tirou do PT votos e a chance de eleger Dilma no primeiro turno, Mercadante aposta na próxima relação de ambos em virtude da atuação conjunta no Senado. Mercadante liderou a bancada petista na Casa, da qual Marina fez parte.

Lado esquerdo. "Acho que ela fez um movimento político para defender as bandeiras que acha que são necessárias, mas Marina faz parte deste lado da história, do nosso campo político. Tenho certeza de que o coração dela sempre bateu do lado esquerdo", afirmou Mercadante, ao sair de uma reunião de dirigentes petistas de São Paulo para definir a tática do segundo turno.

Segundo Mercadante, Marina "nunca fez parte das posições conservadoras que se organizam à direita do espectro político". "Uma parte do eleitorado que votou nela seguramente estará conosco no segundo turno", previu o senador.

Ato. O PT fará, sexta-feira, um ato de lançamento do segundo turno em São Paulo. Pretende reunir cerca de 500 líderes religiosos, sindicais e políticos, de diferentes partidos, em apoio a Dilma. No sábado, como primeiro ato do segundo turno, será organizada uma carreata, provavelmente na capital paulista. Um calendário de atividades do segundo turno já começou a ser preparado.

Hoje os petistas fazem uma reunião com todos os parlamentares eleitos pelo Estado para a Câmara e a Assembleia Legislativa. Amanhã, todos os prefeitos que apoiam Dilma no Estado foram convidados para uma reunião na capital. Na quinta está marcado um encontro com dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais e populares do Estado.

Também está prevista para amanhã, em Brasília, uma reunião de presidentes estaduais do PT com a coordenação nacional de Dilma para definir a tática eleitoral no segundo turno no País.

Lula X FHC. O PT considera que é preciso explorar a associação entre José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de forma mais incisiva no segundo turno da campanha presidencial. "Agora no segundo turno é impossível não fazer essa associação. Lula e Dilma e Serra e FHC são dois projetos distintos", afirmou o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

O PT pretente também trazer todos os petistas históricos e emblemáticos no Estado para a próxima etapa da campanha.

Eleita senadora com mais de 8 milhões de votos, Marta Suplicy deverá ter mais peso nesta etapa da eleição. A petista esteve ontem em Brasília para participar de uma reunião da coordenação nacional da campanha de Dilma. Outra figura popular no Estado escalada para os atos de campanha é o senador Eduardo Suplicy. Também o vereador Netinho de Paula (PC do B), derrotado para a disputa ao Senado, afirmou ontem a Mercadante que está disposto a continuar a campanha em favor de Dilma.

Netinho teve 7.773.327 de votos e ficou em terceiro lugar na disputa. O PT considera que a presença de Netinho nos atos de campanha é importante por sua alta popularidade entre segmentos de baixa renda.

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