Lula cobra solução para os problemas nos aeroportos

Irritado e impaciente com o caos vivido nos aeroportos de todo o País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou de seus assessores na área aeronáutica uma solução rápida para os problemas. "Quero uma solução, me tragam uma solução", desabafou, várias vezes, o presidente durante reunião de emergência realizada no final da tarde desta terça-feira, 31, no Palácio do Planalto. O ministro da Defesa, Waldir Pires, após o encontro, acenou com a liberação de gratificações para melhorar os salários dos controladores de vôo e anunciou a realização de concurso público para contratação de 64 novos profissionais e, posteriormente, mais 144. O Comando da Aeronáutica, por meio de nota, informou que na segunda-feira, 6, o edital do concurso deverá estar nas ruas. Em outra ação emergencial para acabar com os atrasos de vôos nos aeroportos, principalmente da região central do País controlado pelo Cindacta 1, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as empresas aéreas vão fazer um remanejamento de rotas aéreas de forma a diminuir o número de vôos que são monitorados pelo centro de controle de Brasília. Um dos argumentos oficiais para os atrasos nas autorizações das decolagens é o movimento excessivo de aviões pelos setores de controle sob responsabilidade de Brasília. Para piorar, desde a queda do avião da Gol, há um mês, estão suspensos temporariamente por causa das investigações nove operadores. Além de Pires, participaram da reunião com Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, e o presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Mais cedo, Pires foi à sede do Cindacta 1 conversar com os controladores de vôo, disposto a ouvir as reclamações dos profissionais sobre salários e condições de trabalho. "Fui lá para ouvi-los, mas eles não apresentaram reivindicações e afirmaram que estavam vivendo um momento difícil, uma tensão emocional, que acredito seja resultado da tragédia com o avião da Gol", contou Pires. A conversa se realizou na mudança de turno dos controladores, das 14 e 16 horas. Operação-padrãoTodos os operadores do Cindacta 1, no entanto, são militares cuja hierarquia e disciplina são bastante rígidas, o que sugere um temor desses servidores em falar abertamente seus problemas. O ministro definiu a "operação-padrão" dos operadores das torres de comando como "uma situação de falta de garra no trabalho". "Eles estão vivendo um drama pessoal. Mas eu pedi a eles ânimo, que vencessem as tensões íntimas para que retomassem o mais rápido possível a normalidade", disse Pires, acrescentando que o governo "está conversando com psicólogos e terapeutas" para lidar com a situação.O ministro voltou a dizer que serão "convidados" a retornar à ativa controladores militares, que já estão aposentados, mas não revelou o número exato. O concurso público, que será aberto segunda-feira, vai contratar 64 controladores civis. Em junho, a Aeronáutica cancelou um concurso já previsto no orçamento da União e agendado para 144 novos operadores civis, mas não explicou os motivos. Na verdade, os militares não querem completar seus quadros com pessoal civil porque eles se mobilizam em sindicatos e resistem a cumprir a mesma carga horária que os sargentos da Aeronáutica são obrigados a cumprir sem reclamar por integrarem as Forças Armadas. Essas 144 vagas precisarão agora de um novo projeto de lei, a ser encaminhado ao Congresso Nacional, para se tornarem realidade. Como o Congresso está em recesso branco, não há previsão de quando isso vai ser analisado pelos parlamentares.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2006 | 20h44

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