Lula, Collor e Sarney se despedem de Itamar

Velório em Juiz de Fora reuniu 3 ex-presidentes, com aplausos ao petista e vaias a Collor; Dilma vai a cerimônia hoje na capital

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL A JUIZ DE FORA

ITAMAR FRANCO 1930 - 2011

Passava das 11h15 da manhã de ontem quando o caminhão do corpo de bombeiros de Minas Gerais chegou à Praça Henrique Haldfeld, no centro de Juiz de Fora, trazendo o corpo do ex-presidente Itamar Franco. Centenas de pessoas que se aglomeravam em frente à Câmara Municipal começaram uma longa salva de palmas. Homenageavam o ex-prefeito da cidade, ex-governador do Estado, senador eleito em quatro ocasiões e ex-presidente da República morto na manhã de sábado, aos 81 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), decorrente de complicações no tratamento de uma leucemia.

O caixão que levava Itamar estava coberto com as bandeiras do País e de Minas. O caminhão dos bombeiros seguiu em cortejo pelas principais ruas da cidade antes de parar na Câmara. O velório começou com um período de 10 minutos reservado à família.

Cerca de uma hora após o início do velório, uma nova salva de palmas foi iniciada pelas pessoas que aguardavam na fila para se despedir de Itamar. O motivo era a chegada do ex-presidente Lula. Ele veio acompanhado do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, do também ex-presidente, José Sarney (PMDB-AP), e de mais 11 senadores.

Entre os senadores, estava o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), cujo impeachment, em setembro de 1992, possibilitou que Itamar assumisse o comando da Nação. As palmas para Lula foram substituídas pelas vaias a Collor. Até gritos de "pega ladrão" vieram das pessoas que estavam na fila.

Durante pelo menos 20 minutos, os principais protagonistas do impeachment ficaram reunidos no local onde o corpo de Itamar era velado. Além de Collor, também estavam ali o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que na época presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE), e o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos líderes do movimento pró-impeachment de Collor no Congresso Nacional.

Autocrítica. Uma hora mais tarde foi a vez do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), chegar para homenagear Itamar. Lamentou a morte do senador e fez uma longa reflexão sobre a relação de seu partido e o ex-presidente. O PT não aceitou participar do governo de união nacional proposto por Itamar após o impeachment e se posicionou contra o Plano Real, em 1994.

Após a saída dos políticos, o velório passou a receber maior número de populares e amigos pessoais do ex-presidente. Um dos que estavam mais emocionados era o então ministro-chefe da Casa Civil do governo Itamar, Henrique Hargreaves. Acusado de participar de desvios durante a CPI do Orçamento, em 1993, Hargreaves foi afastado pelo então presidente. Quando se esclareceu que ele não estava envolvido em irregularidades, Itamar o renomeou no ministério.

No fim da tarde, uma cerimônia ecumênica emocionou os parentes do ex-presidente que estavam no velório. Georgiana e Fabiana, filhas de Itamar, choraram muito durante a missa e foram confortadas por parentes.

Até o início da noite, a Polícia Militar contabilizava que cerca de 30 mil pessoas haviam passado pelo velório. O corpo de Itamar segue na manhã de hoje para Belo Horizonte onde será cremado. Está prevista a presença da presidente Dilma Rousseff.

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