Lula comanda ofensiva por maioria no Senado

Já com poucos candidatos competitivos na disputa por 54 vagas, partidos de[br]oposição se transformam em alvo do presidente em palanques e na propaganda eleitoral

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

    

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deflagrou uma ofensiva na televisão e nos palanques para garantir ampla maioria no Senado para um eventual governo de Dilma Rousseff. Das 54 vagas em disputa, os oposicionistas PSDB, DEM e PPS têm candidatos competitivos em apenas 17, segundo as últimas pesquisas.

Lula e Dilma têm usado o horário eleitoral para disseminar mensagens de apoio a candidatos aliados com chances de tirar do páreo os senadores que, nos últimos anos, derrotaram o governo em votações importantes, como a tentativa de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque.

O presidente também começou a lançar ataques diretos contra os adversários. Na última sexta-feira, seu alvo foi Marco Maciel (DEM), candidato à reeleição em Pernambuco.

Até 3 de outubro, o número de oposicionistas com chances nas pesquisas pode cair. Mesmo antes da ofensiva de Lula, alguns dos principais expoentes das bancadas contrárias ao governo enfrentavam dificuldades para se reeleger, em uma campanha na qual a associação ao presidente tem se mostrado decisiva na conquista do eleitorado.

Entre eles, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, e Heráclito Fortes (DEM) são os mais fragilizados na busca por uma das duas vagas em disputa em seus Estados. Efraim Morais (PB), José Agripino (RN) e Marco Maciel, todos do DEM, também estão sob ameaça da onda governista.

Apesar de não ter estado na linha de frente da oposição nos últimos anos, Maciel foi alvo de um ataque pesado de Lula na última sexta-feira, durante um comício do PT, no Recife.

Sem citar nomes, Lula disse que há candidato que parece estar no Senado "desde o tempo do Império". "Já foi presidente da Câmara, ministro e até vice-presidente da República. O que ele trouxe para Pernambuco?" A seguir, o presidente conclamou o público a votar em Humberto Costa (PT), líder nas pesquisas, e em Armando Monteiro Neto (PTB), que ameaça tirar de Maciel a segunda colocação.

Trunfo. José Agripino, ex-líder do DEM no Senado, se mantém há meses na segunda colocação no Rio Grande do Norte, atrás de Garibaldi Alves (PMDB). Mas a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) está em ascensão e tem como trunfo o apoio de Lula. "Aqui no Rio Grande do Norte, vote em Wilma de Faria, que está com Dilma", disse o presidente, em vídeo exibido no horário eleitoral na semana passada.

O presidente e Dilma devem ir ao Rio Grande do Norte em setembro, quando subirão ao palanque com Wilma e seu candidato ao governo do Estado, Iberê Ferreira (PSB), que está perdendo para Rosalba Ciarlini (DEM), da chapa de Agripino.

Lula também já apareceu na TV pedindo votos para Vital do Rego Filho (PMDB), conhecido como Vitalzinho, que ameaça a reeleição de Efraim Morais na Paraíba. O líder no Estado é Cássio Cunha Lima (PSDB), cuja candidatura foi impugnada com base na Lei da Ficha Limpa - ele permanece em campanha enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não dá a palavra final.

No Amazonas, onde Lula teve as vitórias mais folgadas em 2002 e 2006 e Dilma tem o quádruplo das intenções de voto do tucano José Serra, Virgílio disputa a segunda vaga para o Senado, já que a primeira deve ficar com o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), franco favorito.

Virgílio - que chamou Lula de "idiota ou corrupto" e se declarou disposto a "bater na cara" do presidente na época do escândalo do mensalão - está empatado com Vanessa Grazziotin (PC do B), que exibiu na propaganda, no sábado, um vídeo em que Dilma manifesta seu apoio a ela.

No Piauí, Heráclito Fortes é outro que disputa a segunda vaga, já que a primeira deve ficar com o ex-governador Wellington Dias (PT). As últimas pesquisas mostram o senador do DEM em terceiro lugar, atrás de Mão Santa (PSC), que também disputa a reeleição.

Na frente. Os únicos Estados em que oposicionistas estão em situação confortável são Ceará e Goiás. Tasso Jereissati (PSDB-CE) lidera com folga a eleição no Estado que governou entre 1986 e 1990 e entre 1994 e 2002.

Demóstenes Torres (DEM-GO) e Lúcia Vânia (PSDB-GO) caminham para a reeleição, a menos que o petista Pedro Wilson, ex-prefeito de Goiânia, consiga reverter a desvantagem atual - de cerca de 20 pontos porcentuais, segundo o Ibope.

Até o momento, as pesquisas projetam a vitória de dois oposicionistas em Minas Gerais, mas nenhum com atuação na atual legislatura - o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

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