Lula confia em um segundo mandato, afirmam empresários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou confiança num segundo mandato e quer imprimir à sua segunda gestão a marca do desenvolvimento. Essa foi a impressão de alguns dos empresários que participaram de um jantar na noite desta quarta-feira. O encontro foi promovido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.Horácio Lafer Piva, da Klabin, disse que o encontro serviu para mostrar que há um consenso claro entre os empresários e o governo em relação a grandes temas, como por exemplo, a necessidade da redução das taxas de juros e da carga tributária e de investimentos em infra-estrutura.Outro consenso entre os empresários é sobre iniciativas em relação a valorização do câmbio e que por isso é preciso investir em outras frentes. Segundo ele, os empresários também colocaram ao presidente a necessidade de logo no início do segundo mandato promover uma reforma política que garanta a sustentação do governo no Congresso Nacional. Segundo Piva, em seu discurso, Lula pediu desprendimento aos empresários, para que pensem mais no país e menos em seus segmentos. Piva contou que o presidente mais ouviu do que falou. "Acho que o jantar serviu para o presidente se aproximar de alguns setores que ele estava afastado e para medir a temperatura do ambiente", avaliou o empresário.Sobre o Furlan, anfitrião do jantar, Piva afirmou que ele se mostra "bastante a vontade no governo e pode permanecer numa eventual segunda gestão do presidente Lula". Alguns empresários defenderam a necessidade de redução do recolhimento compulsório dos bancos ao Banco Central, do spread bancário e da carga tributária. Essas condições seriam necessárias para a redução dos juros e atração de investimentos, de acordo com o empresário. Vitória certaJorge Gerdau, empresário da Gerdau, contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que conta como certa a sua vitória nas eleições, mas não descartou a realização de um segundo turno. "Percebe-se que o presidente está confiante no segundo mandato, mas ele ficou falando de primeiro e segundo turno".Segundo relato do empresário, o debate girou em torno das ações necessárias para aumentar a taxa de crescimento do País. Segundo ele, todos os 27 empresários convidados tiveram a oportunidade de colocar suas idéias e que o presidente ouviu todos, "com paciência".De acordo com Gerdau, a preocupação de todos é criar condições para aumentar os investimentos e aprimorar a qualidade da gestão pública. O empresário afirmou que o presidente Lula acredita que já estão criadas todas as condições para o crescimento do País.Estabilidade econômicaRoger Agnelli, presidente da Companhia Vale do Rio Doce, afirmou na manhã desta quinta-feira que durante o jantar realizado entre empresários e presidente ficou "clara a percepção de que já houve a conquista da estabilidade econômica". Para ele, "agora é preciso partir para o crescimento".Foi consenso entre os empresários, segundo Agnelli, "que o País tem condições de crescer acima de 5% do PIB ao ano". Outro ponto citado foi a necessidade de o governo promover as reformas tributária e política. Segundo ele, a carga tributária elevada afeta todos os setores. "Se o país não cresce e não melhora a percepção de risco, é péssimo para nós", disse. O presidente da Vale disse também que durante o jantar os empresários comentaram com o presidente a situação da Volkswagen. Lula, porém, segundo ele, apenas escutou as ponderações.Agnelli defendeu ainda a necessidade de investimentos em educação porque, segundo ele, as empresas têm gastado muito para treinar empregados. Lula, porém, conforme o empresário, apenas escutou as ponderações. Na sua avaliação, o jantar não teve conotação política. "Foi um convite do presidente e todos foram de espírito aberto para olhar o País. Acho que os empresários estão conversando com todos os candidatos", disse. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, confirmou que o jantar permitiu aos empresários terem uma visão clara de que houve avanços na economia do País, mas que ainda há muitos desafios pela frente. "Precisamos continuar crescendo, porém com estabilidade macroeconômica", afirmou o empresário, ao chegar ao Palácio do Planalto para participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, na manhã desta quinta-feira."E nós precisamos promover, cada vez mais, a atração de investimentos", observou o presidente da Anfavea. Para isso, a carga tributária é uma das grandes questões que terão que ser tratadas, daqui para frente. "Temos que equacionar a carga tributária, mas sem riscos para o equilíbrio macroeconômico", sustentou.Goldfarb disse que, no jantar de quarta-feira, não houve um tom de campanha eleitoral. "Nunca ouvimos o já ganhou", afirmou. Segundo ele, da parte do governo, os ministros presentes mostraram que há uma urgência do presidente da República em apresentar rapidamente uma proposta para um novo mandato, caso ele seja reeleito.O presidente da Anfavea disse que isso aconteceria logo no início do próximo ano, em caso de vitória de Lula, e que essa disposição foi "muito bem-vista" pelos empresários.Crescimento sustentado e investimentosO ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que a marca do segundo mandato do presidente Lula será um crescimento sustentado e mais vigoroso da economia. Segundo ele, o País passou por um período de transição e agora já tem condições para crescer a uma taxa superior, a 5% do PIB ao ano. "O País já está preparado e há uma concordância sobre isso", afirmou. No jantar, ele disse que muitos deles afirmaram que o País pode crescer acima de 5% ao ano. Para isso, é preciso que o Brasil aumente os investimentos dos atuais 20% do PIB para 25% nos próximos anos. Mantega também avaliou que é preciso reduzir o custo financeiro e aumentar o volume de crédito.Na avaliação do ministro, a conversa do presidente com os empresários foi "descontraída" e tratou do quadro geral da economia. Segundo Mantega, os empresários apontaram os obstáculos que precisam ser retirados para melhorar o desempenho da economia, como por exemplo, o preço elevado da energia elétrica, a situação precária dos portos e a alta carga tributária. "O governo vê que existem desafios para serem enfrentados nesse processo de desenvolvimento que está em curso", disse o ministro. No encontro, relatou Mantega, o presidente Lula explicou aos empresários as medidas que o governo já adotou para reduzir a carga tributária.

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