Lula critica ''pirotecnia'' na investigação da morte

Presidente pede que não se julgue casal antecipadamente e Serra defende trabalho da polícia

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

26 Abril 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem cautela no caso Isabella. Com discurso semelhante ao usado em denúncias envolvendo aliados políticos, defendeu que não haja prejulgamento do pai da menina, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá. "O que eu acho grave nesse caso da Isabella é que, mesmo que o casal seja inocente, eles já estão condenados. Se eles forem condenados, já estão condenados antes também. Acho que é preciso cuidado ao tratar essas coisas porque são vidas que estão em jogo. Vidas destruídas que dificilmente se reconstruirão", disse, em visita a posto de vacinação contra a gripe em São Bernardo do Campo.O presidente, que se referiu à morte da menina como "barbaridade imensa", disse acreditar que a polícia de São Paulo tem "inteligência suficiente" para a apuração. "Agora, eu fico preocupado quando a pirotecnia toma conta da investigação. São 24 horas por dia tocando no assunto. Terminam inocentes sendo culpados. Quem sabe os verdadeiros culpados ainda não apareceram?" Questionado sobre mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente para punir castigo em crianças, Lula lembrou que nunca precisou de lei para não bater nos filhos. "Acho que educação dos filhos não deveria ser incluída em lei. Deveria ser uma educação de berço. Tenho cinco filhos e nunca bati em nenhum deles." O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que acompanhou Lula na visita, disse que a Polícia Civil, com a ajuda da Científica, já cumpriu sua parte na investigação. "Agora, o Ministério Público e a Justiça é que vão examinar essas provas recolhidas."

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