Lula critica recusa de Lembo e diz que situação é grave

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a resistência do governo de São Paulo em aceitar a oferta federal de uso da Força Nacional de Segurança e do Exército. Lula classificou a situação do Estado de grave e fora de controle, cobrou atitude dos governantes paulistas e afirmou que a oferta será repetida na quinta-feira, 13, ao governador Cláudio Lembo pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Na capital baiana, onde participou da abertura da abertura da II Conferência de Intelectuais da África e Diáspora, o presidente disse que a situação em São Paulo é hoje uma das suas maiores preocupações. Apesar de tentar amenizar suas críticas ao governo paulista, o presidente não conseguiu esconder uma certa irritação com as constantes recusas de Lembo em aceitar o uso da Força Nacional. "Na sexta-feira reiteramos a proposta que já havia sido feita no primeiro atentado. Ele (Lembo) disse que não precisava. Eu parto do pressuposto que ele diz que tem controle", afirmou o presidente. "Mas se tem controle não poderia estar acontecendo o que está acontecendo". Lula cobrou, mais uma vez, que Lembo aceite a ajuda federal. Afirmou que o governo federal não pode fazer nada sem a concordância do governo do Estado ou seria intervenção. O presidente foi irônico ao comentar as declarações do governador paulista de que a situação está dentro do normal e que o próprio governo do Estado pode controlar os problemas causados por facções criminosas. "Agora, se São Paulo continua achando que a situação está normal, que pode tomar conta da situação, o governo federal não pode fazer nada", disse. Mas, perguntado se a sua avaliação era de a situação no Estado estaria dentro do normal, respondeu: "Pelo que eu vejo na imprensa, não está normal. Todo dia é a morte de um carcereiro, todo dia é um ônibus queimado. Obviamente isso vai colocando a sociedade em pânico. Eu acho que São Paulo, pelo que representa para o Brasil, merece ser tratada com um carinho especial". Lula informou que o ministro da Justiça vai conversar com Cláudio Lembo amanhã pela manhã, mais uma vez. "Nós queremos colocar o governo federal à disposição do governador para que a gente possa encontrar uma solução e fazer com que o povo de São Paulo possa dormir e acordar tranqüilo todo dia", afirmou. Mas, antes mesmo da conversa, em uma nota, o governador negou mais uma vez a ajuda. O governador Cláudio Lembo manteve a posição adotada na terça-feira, 11, com relação à oferta do governo federal para receber a ajuda da Força Nacional de Segurança Pública para combater a criminalidade em São Paulo. Segundo o governador, o reforço policial não é oportuno nem necessário, pois o efetivo de segurança paulista é o maior e mais bem equipado entre os Estados da Federação. E o trabalho de investigação contra a criminalidade é diário e contínuo. Bastos disse que irá à capital paulista para novos encontros com o governador Claudio Lembo. "A situação em São Paulo é muito grave, é uma situação que precisa ser vigiada, trabalhada. E, por isso, eu estou indo para São Paulo, por determinação do presidente Lula, para uma série de novas reuniões com o governador Cláudio Lembo e com autoridades de segurança". Bastos renovou a oferta de ajuda a São Paulo do presidente Lula, mas deixou claro que a decisão cabe ao governo estadual. A opção de aceitar ou não a ajuda federal é, segundo Bastos, "uma faculdade, uma atribuição do governador, das forças de segurança." O ministro afirmou que é "absolutamente clara" a posição do governo federal. "Nós estamos à disposição. Vou a São Paulo de novo. A Força Nacional, que neste momento atua em dois Estados, está pronta para entrar em ação também em São Paulo. Temos ainda as Forças Armadas, com brigadas treinadas, mas o juiz da presença dessas forças é o governo estadual." O ministro criticou, porém, que a crise seja usada pelos candidatos para ganhar votos. "Neste ano eleitoral, reitero a advertência de que essa crise não pode ser objeto de disputa eleitoral nem de guerra política. Não é possível que uma situação como essa, em que estão morrendo pessoas, seja objeto de disputa eleitoral. Este é um ano difícil, mas é preciso que todos os agentes públicos mantenham essa consciência bem nítida."Em busca de soluçõesBastos, ao citar providências já adotadas pelo governo federal em relação à crise de segurança no Estado de São Paulo, informou que "a Polícia Federal vai ceder, em comodato, um importante equipamento de inteligência" à Secretaria de Segurança de São Paulo. O equipamento seria uma central sofisticada de escuta e monitoramento de ambientes para gravar conversas no interior de presídios. "Vamos continuar trabalhando, fazendo compartilhamento de informações e exercendo uma atuação forte na área de inteligência", disse Bastos.Bastos relatou também que já conversou com as autoridades do governo de São Paulo e com a Secretaria de Administração Penitenciária informando da disponibilidade de vagas para presos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Inaugurada há três semanas, essa penitenciária é destinada a receber e manter sob isolamento rigoroso os presos mais perigosos de penitenciárias de outros Estados, como São Paulo. "Estamos aguardando que comece o processo de transferência. As vagas estão asseguradas", disse Bastos.

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