Lula defende transposição do rio São Francisco e se diz confiante na reeleição

Ao falar de temas relacionados ao Nordeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu, em entrevista na manhã desta sexta-feira a emissoras de rádio da Região, na defesa do projeto de transposição de águas do rio São Francisco - uma proposta que divide governos dos Estados nordestinos. Lula, que teve no Nordeste sua maior votação na eleição, lamentou que o projeto tenha se transformado uma briga política, mas disse acreditar que, no futuro, a população aceitará a retirada de 1% da água do rio para atender a milhões de pessoas.O presidente citou outros projetos de infra-estrutura, como a ferrovia Transnordestina, e prometeu fazer mais investimentos na malha rodoviária. "O governo passado recebeu dinheiro para fazer rodovia e não fez. Ficamos muito tempo sem fazer manutenção das estradas, não sei por que se passou tanto tempo sem manutenção", disse."O que nós olhamos nestes quatro anos, há muito tempo um governante do Brasil não olhava", afirmou Lula, prometendo acabar com as palafitas: "Elas são uma vergonha nacional. Não quero mais ver palafitas, queremos acabar com elas e dar um pouco de cidadania pra as pessoas".Lula, que na quarta-feira comemorou a derrota eleitoral do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) na Bahia, nesta sexta evitou responder uma pergunta sobre o apoio que recebe do senador José Sarney (PMDB-AP), também considerado um dos chefes da oligarquia nordestina. O presidente se limitou a elogiar a filha de Sarney, Roseana, candidata ao governo do Maranhão: "Em política, a gente trabalha com quem é leal a você, e Roseana Sarney me apoiou. Os votos no Maranhão não foram pouca coisa. Roseana é uma mulher que pode fazer mais coisas com a solidariedade do governo federal. Sem problema nenhum, vou pedir voto para a Roseana. Ela teve a coragem de pedir para mim, mesmo contra o partido ela. Ela foi leal comigo e como defensora das políticas do governo federal lá." ConfianteO presidente também manifestou confiança na sua reeleição e disse que aposta em um crescimento da economia do País de 5% a 6% nos próximos anos, considerando que "as bases da economia estão consolidadas." Segundo Lula, a economia está sólida, a inflação controlada, e a política de juros, definitivamente caindo. "Acho improvável Alckmin ganhar as eleições", disse, falando ao vivo aos repórteres das emissoras, no Palácio da Alvorada, em Brasília. "Não tem nenhum brasileiro mais angustiado do que eu com o crescimento"."Os juros vão cair gradativamente, até chegar num patamar", afirmou, prevendo também que a agricultura vai ter "um salto de qualidade" e que, com a indústria crescendo, será possível ter um desenvolvimento forte. "Quando os americanos anunciam que os juros aumentam, é problema deles", disse.Na avaliação do presidente, o "alicerce para a economia brasileira desenvolver está pronto", mas ele fez a ressalva de que não existe "mágica" na economia. "Nós resolvemos não fazer mágica, mas colocar a economia para funcionar com respeitabilidade", acrescentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.